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Discospondilite em cães: sinais, diagnóstico e tratamento

31 de jul.
2 min de leitura

Discospondilite é infecção do disco intervertebral e das placas terminais vertebrais adjacentes. Bactérias ou fungos geralmente chegam pelo sangue a partir de outro foco, embora feridas, procedimentos e corpos estranhos possam participar. A inflamação causa dor e pode produzir instabilidade, abscesso epidural ou compressão neurológica.

Cão em perfil com dorso arqueado e postura compatível com dor toracolombar por discospondilite

Dor persistente na coluna, postura rígida, relutância para levantar, febre e perda de apetite são possíveis. Alguns cães apresentam claudicação, fraqueza, ataxia ou paralisia; febre e alterações no hemograma podem estar ausentes. L7-S1 foi o local mais frequente em uma grande série de 386 cães.

O exame procura dor focal, déficit neurológico e possíveis portas de entrada em pele, trato urinário, próstata, boca e coração. Hemograma, bioquímica, urina e marcadores inflamatórios ajudam, mas nenhum resultado isolado exclui infecção. Brucella canis deve ser considerada por risco zoonótico e implicações reprodutivas.

Hemoculturas e uroculturas são colhidas antes do antimicrobiano quando o paciente está estável. Cultura ou histopatologia de material do disco guiada por imagem pode identificar o agente quando testes menos invasivos falham. Escolher antibiótico sem cultura reduz precisão e pode selecionar resistência.

Radiografias podem ser normais no início e depois mostram erosão das placas, lise, estreitamento ou proliferação óssea. Tomografia detalha osso; ressonância detecta precocemente disco, medula, espaço epidural e tecidos paravertebrais. Como a doença pode ser multifocal, a extensão da imagem deve ser planejada.

No estudo multi-institucional, radiografia e ressonância tiveram concordância ruim para presença da doença, embora concordassem melhor sobre localização quando a lesão era vista. Staphylococcus foi comum entre hemoculturas positivas. Isso reforça que radiografia normal não encerra a investigação em cão muito dolorido.

O tratamento antimicrobiano costuma ser prolongado e guiado pelo agente e resposta clínica. Analgesia, repouso e acompanhamento de dor, neurologia, marcadores e imagem fazem parte do plano. Interromper ao primeiro alívio favorece recidiva.

Cirurgia é reservada a instabilidade, compressão importante, abscesso, déficit progressivo, necessidade de amostra ou falha do manejo clínico. Corticoides sem diagnóstico podem agravar infecção; na série de 386 cães, uso prévio associou-se a progressão neurológica. Não combine medicamentos por conta própria.

O prognóstico de infecção bacteriana tratada adequadamente costuma ser favorável, mas recidiva e deterioração são possíveis. Infecções fúngicas, especialmente disseminadas, têm prognóstico mais reservado. Dor crescente, fraqueza, retenção urinária ou febre exigem reavaliação imediata.

Discospondilite não é apenas “dor nas costas”. Identificar o agente, procurar o foco e acompanhar por tempo suficiente protege medula, osso e saúde pública. Restrição e medicação devem seguir o plano veterinário até confirmação de controle.

Referência bibliográfica: Van Hoof C et al. Clinical features, comparative imaging findings, treatment, and outcome in dogs with discospondylitis: a multi-institutional retrospective study. Journal of Veterinary Internal Medicine. 2023;37(4):1438-1446. doi:10.1111/jvim.16785. PMID:37288966.

Referência bibliográfica: Gomes SA, Targett M, Lowrie M. Computed tomography features of discospondylitis in dogs. Journal of Veterinary Internal Medicine. 2022;36(6):2123-2131. doi:10.1111/jvim.16551. PMID:36208075.

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