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Disautonomia felina: quando o sistema nervoso autônomo falha

A disautonomia felina, também chamada síndrome de Key-Gaskell, resulta da degeneração de neurônios dos gânglios autonômicos. Como o sistema nervoso autônomo controla funções involuntárias, vários órgãos podem falhar ao mesmo tempo.

Gato em clínica com pupilas bilateralmente dilatadas, alerta e com anatomia facial natural, sinal compatível com disfunção autonômica

Os sinais costumam surgir de forma aguda ou subaguda e incluem pupilas dilatadas com resposta luminosa reduzida, elevação das terceiras pálpebras, nariz e boca secos, dificuldade para engolir, regurgitação, vômitos, constipação e dificuldade para urinar. Bradicardia, desidratação, fraqueza e perda rápida de peso também podem ocorrer.

Megaesôfago e redução da motilidade gastrointestinal aumentam o risco de regurgitação, desnutrição e pneumonia por aspiração. Uma bexiga muito distendida pode causar desconforto e retenção urinária, por isso dificuldade respiratória ou incapacidade de urinar exige atendimento imediato.

O diagnóstico é construído pela combinação de sinais multissistêmicos, exame neurológico e exclusão de doenças que imitam o quadro. Testes farmacológicos oculares com soluções diluídas podem demonstrar hipersensibilidade por desnervação, mas devem ser realizados e interpretados pelo médico-veterinário.

Radiografias e ultrassonografia podem mostrar megaesôfago, distensão gástrica e intestinal, íleo, megacólon ou bexiga aumentada. Esses achados não são específicos; exames de sangue, urina e avaliação de doenças metabólicas, tóxicas, infecciosas e obstrutivas continuam necessários.

A confirmação definitiva depende da demonstração histopatológica de degeneração em gânglios autonômicos, frequentemente obtida apenas após a morte. Na prática, muitos diagnósticos são presuntivos quando o conjunto clínico e os testes autonômicos são característicos.

Não existe tratamento capaz de reverter comprovadamente a degeneração neuronal. O cuidado é intensivo e individualizado, com fluidoterapia criteriosa, suporte nutricional, proteção ocular, manejo da motilidade digestiva, esvaziamento da bexiga e tratamento de infecções secundárias.

Alimentação por sonda pode ser considerada, mas o megaesôfago mantém risco de aspiração e exige técnica rigorosa. Colírios, procinéticos e outros medicamentos não devem ser usados sem prescrição, pois a resposta autonômica é anormal e efeitos adversos podem ser graves.

O prognóstico geralmente é reservado a ruim, sobretudo quando há disfunção gastrointestinal intensa, aspiração ou incapacidade de manter nutrição e hidratação. Sobreviventes podem apresentar melhora parcial ao longo de meses, embora déficits como midríase possam persistir.

A doença é rara e sua causa permanece incerta; ocorrer em um gato que vive apenas dentro de casa não a exclui. Reconhecimento rápido permite suporte mais seguro e uma discussão realista sobre qualidade de vida.

Referência: Kidder AC, Johannes C, O’Brien DP, Harkin KR, Schermerhorn T. Feline dysautonomia in the Midwestern United States: a retrospective study of nine cases. Journal of Feline Medicine and Surgery. 2008;10(2):130-136. doi:10.1016/j.jfms.2007.08.005.

Referência: Novellas R, Simpson KE, Gunn-Moore DA, Hammond GJC. Imaging findings in 11 cats with feline dysautonomia. Journal of Feline Medicine and Surgery. 2010;12(8):584-591. doi:10.1016/j.jfms.2010.01.012.

Horário: Segunda à sexta, 11h às 18h. Sábados 10:00 às 14:00
Whatsapp: (11)97522-5102
Endereço: Alameda dos Guaramomis, 1067, Moema, São Paulo, SP

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