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Cachorro com dificuldade para subir no sofá: o que aconteceu?

Atualizado: 28 de nov. de 2025

Quando um cachorro começa a evitar subir no sofá, hesita antes do salto ou simplesmente não consegue fazer o movimento que antes era natural, isso quase nunca é “preguiça”.



Na maioria das vezes, trata-se de um sinal precoce de dor musculoesquelética ou de algum comprometimento neurológico que está limitando a mobilidade do animal. Em muitos cães, esse é um dos primeiros alertas de que algo não vai bem.


Dificultar o salto costuma indicar que o cão não consegue gerar a força necessária com os membros posteriores, um movimento que exige estabilidade de quadril, joelhos e coluna. Entre as causas ortopédicas mais frequentes está a displasia coxofemoral, uma doença do quadril que provoca dor, inflamação e instabilidade articular.


Cães com displasia apresentam grande dificuldade para impulsão e acabam evitando saltos, corridas ou brincadeiras mais intensas.


Outra causa muito comum é a ruptura do ligamento cruzado cranial, responsável por estabilizar o joelho. Quando esse ligamento está lesionado, mesmo parcialmente, o cão sente insegurança ao apoiar o membro e evita qualquer movimento que demande força de impulsão, como subir no sofá ou pular do chão para a cama. Em alguns casos, a dor aparece apenas ao tentar subir, e isso faz o tutor perceber o problema somente quando o cão recusa o salto.


Luxação de patela, osteoartrite e tendinites também estão entre os motivos mais comuns para essa dificuldade. A luxação de patela, especialmente em cães de pequeno porte, faz com que o animal interrompa o movimento por sentir a patela “saindo do lugar”. Já a osteoartrite, que afeta cada vez mais cães jovens e adultos, provoca dor crônica e limitação progressiva, dificultando inclusive pequenos saltos do dia a dia. Em cães idosos, problemas degenerativos no quadril e joelho tornam esse sinal ainda mais evidente.


Doenças de coluna, como hérnia de disco, merecem atenção especial. Quando há compressão de nervos, o cão pode apresentar dor na região lombar ou cervical, rigidez, tremores, marcha alterada ou até dificuldade de manter o equilíbrio.


Para muitos tutores, o primeiro sinal visível é justamente a recusa em subir no sofá, porque o salto exige flexão e extensão da coluna, movimentos extremamente dolorosos em cães com hérnia.


O excesso de peso é outro fator que não pode ser ignorado. A obesidade sobrecarrega as articulações, acelera o desgaste de quadris e joelhos e aumenta a probabilidade de lesões. Em muitos casos, controlar o peso já reduz significativamente a dor e melhora a disposição do cão para subir no sofá novamente.


Traumas recentes, lesões musculares, contusões pós-brincadeira ou até fraturas antigas que não consolidaram bem também podem justificar essa dificuldade. Alguns cães apresentam dor apenas em movimentos específicos, como o salto, e se comportam aparentemente normais nas demais atividades.


Diante desse cenário, a avaliação veterinária é fundamental. O diagnóstico envolve exame ortopédico e neurológico, radiografias e, quando necessário, métodos avançados como tomografia ou ressonância magnética.


Quanto mais cedo a causa for identificada, mais eficaz será o tratamento, que pode incluir anti-inflamatórios, analgésicos, fisioterapia, fortalecimento muscular, controle de peso e, em alguns casos, cirurgia corretiva.


Observar o comportamento do cão no dia a dia é essencial. Dificuldade para levantar, mancar após atividades, lambedura insistente de uma articulação ou mudanças de humor podem ser pistas importantes. Quanto antes o tutor agir, maiores são as chances de preservar a mobilidade e garantir qualidade de vida.


Se o seu cachorro parou de subir no sofá, encare isso como um sinal clínico, e não como um hábito diferente. A dor em cães raramente aparece de forma óbvia, e sintomas discretos como esse costumam ser a primeira oportunidade de detectar um problema que está começando.

Referências bibliográficas


Johnston SA, Tobias KM. Veterinary Surgery: Small Animal. 2nd ed. St. Louis: Elsevier; 2018.


Fossum TW. Small Animal Surgery. 5th ed. St. Louis: Elsevier; 2019.


Sobre o autor


Dr. Felipe Garofallo, veterinário ortopedista, especializado no diagnóstico e tratamento de problemas articulares e musculoesqueléticos em cães

Felipe Garofallo é médico-veterinário (CRMV/SP 39.972) especializado em ortopedia e neurocirurgia de cães e gatos e proprietário da empresa Ortho for Pets: Ortopedia Veterinária e Especialidades.


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