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Como é feito o diagnóstico da displasia coxofemoral em cães

O diagnóstico da displasia coxofemoral em cães é um processo que envolve a integração cuidadosa de dados clínicos, histórico do paciente e exames de imagem, especialmente a radiografia.



Trata-se de uma afecção ortopédica de desenvolvimento, multifatorial, que afeta principalmente cães de médio e grande porte, podendo se manifestar desde a fase de crescimento até a idade adulta ou senil, muitas vezes com apresentações clínicas bastante variáveis.


O primeiro passo para o diagnóstico é a anamnese detalhada. Nessa fase, o médico-veterinário investiga informações como idade, raça, histórico familiar, ritmo de crescimento, tipo de alimentação, nível de atividade física e evolução dos sinais clínicos.


Tutores frequentemente relatam dificuldade para se levantar, relutância em correr ou subir escadas, intolerância ao exercício, claudicação intermitente dos membros pélvicos ou um caminhar rebolado. Em filhotes, os sinais podem ser sutis e intermitentes, enquanto em cães adultos ou idosos a dor costuma estar mais relacionada à progressão da osteoartrose secundária.


Após a anamnese, o exame físico ortopédico é fundamental. A avaliação da marcha pode revelar claudicação bilateral, encurtamento do passo ou descarga de peso inadequada nos membros posteriores.

Durante o exame específico do quadril, testes como o sinal de Ortolani, o teste de subluxação e a avaliação da amplitude de movimento ajudam a identificar frouxidão articular, crepitação, dor à manipulação e redução da extensão do quadril. É importante ressaltar que a ausência de dor evidente ou de um Ortolani positivo não exclui a displasia, especialmente em animais mais velhos, nos quais a fibrose periarticular pode mascarar a instabilidade inicial.


A confirmação diagnóstica é feita por meio de exames de imagem, sendo a radiografia o método padrão-ouro. Para uma avaliação adequada, o exame radiográfico deve ser realizado com posicionamento correto, geralmente com o animal em decúbito dorsal, membros pélvicos estendidos e paralelos, patelas centradas sobre os sulcos trocleares e pelve simétrica.


Na maioria dos casos, a sedação ou anestesia é recomendada para garantir o relaxamento muscular e evitar falsos resultados, especialmente na avaliação da frouxidão articular.


Na radiografia, são analisados diversos critérios, como a congruência entre a cabeça femoral e o acetábulo, a profundidade acetabular, o grau de subluxação, a forma da cabeça e do colo femoral e a presença de alterações degenerativas, como osteófitos, esclerose subcondral e remodelamento ósseo.


Um parâmetro amplamente utilizado é o ângulo de Norberg, que avalia o grau de cobertura da cabeça femoral pelo acetábulo. Valores reduzidos sugerem subluxação e instabilidade articular, compatíveis com displasia coxofemoral.


Em cães jovens, especialmente aqueles ainda sem alterações degenerativas evidentes, métodos específicos de avaliação da frouxidão articular podem ser indicados.


Técnicas como PennHIP permitem mensurar de forma objetiva a lassidão do quadril e identificar cães com risco elevado de desenvolver a doença no futuro, mesmo antes do aparecimento de sinais clínicos ou radiográficos clássicos.


Esse tipo de avaliação é particularmente útil em programas de seleção genética e em decisões precoces de manejo ou intervenção cirúrgica.


Outros exames de imagem, como a tomografia computadorizada, podem ser utilizados em situações específicas, oferecendo uma avaliação tridimensional mais detalhada da articulação coxofemoral. No entanto, seu uso rotineiro no diagnóstico da displasia ainda é limitado, sendo geralmente reservado para planejamento cirúrgico ou casos complexos.


É importante destacar que o diagnóstico da displasia coxofemoral não deve ser baseado apenas em exames de imagem. A correlação entre achados radiográficos e sinais clínicos é essencial, pois alguns cães podem apresentar alterações importantes nas radiografias e poucos sintomas, enquanto outros, com alterações mais discretas, manifestam dor significativa e limitação funcional.


Por isso, a interpretação deve sempre considerar o indivíduo como um todo, incluindo idade, nível de atividade e impacto da doença na qualidade de vida.


Em resumo, o diagnóstico da displasia coxofemoral em cães é um processo clínico-radiográfico que exige técnica adequada, experiência do avaliador e uma abordagem individualizada.


A identificação precoce da doença permite orientar melhor o tutor, instituir medidas de manejo apropriadas e, quando indicado, planejar intervenções terapêuticas que possam retardar a progressão da osteoartrose e melhorar o conforto e a longevidade do paciente.


Referências bibliográficas


Orthopedic Foundation for Animals. Hip Dysplasia: Diagnosis and Evaluation.


Fossum, T. W. Small Animal Surgery. 5th ed. St. Louis: Elsevier, 2019.


Sobre o autor


Dr. Felipe Garofallo, veterinário ortopedista, especializado no diagnóstico e tratamento de problemas articulares e musculoesqueléticos em cães

Felipe Garofallo é médico-veterinário (CRMV/SP 39.972) especializado em ortopedia e neurocirurgia de cães e gatos e proprietário da empresa Ortho for Pets: Ortopedia Veterinária e Especialidades.


Horário: Segunda à sexta, 09h às 18h. Sábados 10:00 às 14:00
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