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Fratura de costela em cães e gatos

Atualizado: 23 de abr.

Fratura do gradil costal


Etiologia (causa)


O trauma torácico é uma das causas mais comuns de morte em cães e gatos devido às suas consequências e ocorre comumente devido a trauma por atropelamento.


A fratura de costela pode causar danos às estruturas intratorácicas causando choque, dispneia e alterações no metabolismo ácido-básico.


Por isso, é fundamental que o diagnóstico seja rápido nesses casos.


As fraturas da primeira costela são raras em cães e gatos, mas deve-se observar que a fraturas mais craniais tem uma taxa de mortalidade de até 36% em cães e gatos devido a complicação de doenças cardíacas e/ou pulmonares.


Além disso, há estudos que relatam que 55% das lesões torácicas são acompanhadas de contusões pulmonares.


Sinais clínicos (sintomas)


O animal com fratura de costela pode apresentar tosse, dispneia, dor, enfisema subcutâneo, cianose, pneumotórax ou hemotórax.


Diagnóstico


Inicialmente o médico veterinário irá realizar o exame de inspeção da boca e focinho, além da palpação do abdômen, coluna, e traqueia. Além disso, irá realizar ausculta e percussão do tórax, comparando o hemitórax direito e esquerdo.


Após a análise dos sinais vitais do paciente (frequência cardíaca, respiratória, temperatura, pulso arterial, estado de consciência e coloração das mucosas para determinar o nível de oxigenação dos tecidos e perfusão periférica), um exame mais detalhado dos órgãos e estruturas da cavidade torácica deve ser realizado.


Nesses casos, o médico veterinário também irá procurar por costelas fraturadas, hematomas adjacentes às costelas e/ou enfisema subcutâneo.


Se houver suspeita de fratura da coluna vertebral, o animal deve ser manuseado com extremo cuidado, pelo menos até que a coluna esteja estabilizada ou radiograficamente determinada como intacta.


As fraturas de costela são mais comuns na área próxima à coluna vertebral. Essas fraturas causam dor intensa que é acentuada pelo movimento.


Por esse motivo, a diminuição dos movimentos respiratórios é comum, embora em alguns casos a respiração possa se tornar mais agitada e superficial.


Quando ocorre uma única fratura , a costela pode se projetar do tecido subcutâneo ou ficar significativamente deprimida no tórax.


No caso de fraturas múltiplas, elas ocorrem perto da articulação costo-vertebral e da articulação costo-esternal, o que é conhecido como tórax instável, e que é acompanhado por um movimento paradoxal de uma parte da parede torácica durante a respiração.


A radiografia de tórax permite o diagnóstico rápido, sendo eficaz e não invasiva para avaliar o dano as costelas. Sendo necessário realizar pelo menos duas projeções radiográficas.

Tratamento


Quando apenas uma costela é fraturada, o tratamento cirúrgico geralmente não é necessário.


Deve-se levar em consideração que o reparo cirúrgico de fraturas de costela requer considerações pré-operatórias especiais, uma vez que a cavidade pleural pode se abrir e, se for constatado dano pulmonar grave, será necessária toracotomia e ressecção do lobo pulmonar, seguida de reconstrução da costela.


A respeito da técnica cirúrgica, as fraturas de costelas podem ser estabilizadas por meio da colocação percutânea de suturas ao seu redor, que são mantidas por pelo menos três semanas.


Um erro muito comum ao atender fraturas de costelas é aplicar ataduras apertadas para estabilizar as costelas fraturadas, pois isso pode deslocá-las medialmente e danificar órgãos internos.


Além disso, as costelas podem cicatrizar em uma posição inadequada, o que diminui permanentemente o volume pulmonar.


As complicações pós-operatórias das fraturas de costela são raras, mas considere que as complicações da toracotomia pulmonar ou trauma podem ser significativas e requerem mais cuidados.


Referências bibliográficas


Mori da Cunha, Marina Gabriela & Gomes, Kleber & Monteiro Carvalho Mori Cunha, João Paulo & Pippi, Ney & Rappeti, Josaine. (2009). Catheter needle for osteosyntesis of the rib in a dog. Acta Scientiae Veterinari. 37. 201-205.


Calişkan, Murat & Can, Pinar & Besalti, Omer. (2019). Thoracic Injury in 8 Dogs and 8 Cats. Journal of Animal and Veterinary Advances. 18. 42-47. 10.36478/javaa.2019.42.47.


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Sobre o autor

Felipe Garofallo é médico veterinário (CRMV/SP 39.972) e atua na área de ortopedia e cirurgia de cães e gatos em São Paulo e cidades da região. Realiza consultas em domicílio para tutores e serviço terceirizado para clínicas e hospitais veterinários. Você pode agendar uma consulta pelo whatsapp (11)91152-4321.

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