Cachorro tropeçando: quando o problema pode estar na coluna ou nas patas?
- Felipe Garofallo

- 19 de jul.
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Tropeçar repetidamente não deve ser atribuído automaticamente à distração ou à idade. O sinal pode surgir quando o cão sente dor e encurta o passo, perde força, não percebe corretamente a posição das patas ou apresenta dificuldade para coordenar os movimentos.

Problemas ortopédicos costumam alterar a distribuição de peso e a amplitude do movimento. Dor nas unhas ou coxins, lesões musculares, instabilidade ligamentar, osteoartrite, doenças do quadril, joelho, tarso, ombro ou cotovelo podem fazer a pata tocar o chão de forma inadequada.
Alterações neurológicas podem produzir ataxia, paresia ou déficit proprioceptivo. Nesses casos, o cão pode cruzar os membros, arrastar o dorso dos dedos, desgastar unhas, oscilar o tronco ou demorar para recolocar a pata quando ela se dobra.
A origem neurológica pode estar no cérebro, sistema vestibular, medula espinhal, raízes nervosas ou nervos periféricos. Doença do disco intervertebral é uma causa importante de dor na coluna e alteração da marcha, mas não é a única e não pode ser confirmada apenas pela observação do tropeço.
O modo de início ajuda a definir a urgência. Quedas repetidas, incapacidade de permanecer em pé, piora em horas, dor intensa, perda de movimento, alteração respiratória ou dificuldade para urinar exigem atendimento imediato; um quadro súbito também pode decorrer de trauma, intoxicação ou evento vascular.
Até a avaliação, evite escadas, saltos, corridas e pisos escorregadios. Use guia curta para deslocamentos necessários, mantenha o animal em local seguro e registre vídeos de frente, de trás e de lado sem forçar uma caminhada prolongada.
Na consulta, a observação da postura e da marcha é seguida por exame ortopédico e neurológico completos. Palpação, amplitude articular, massa muscular, reações posturais, reflexos, tônus e sensibilidade da coluna ajudam a distinguir dor mecânica de alteração neurológica e a localizar a lesão.
Radiografias avaliam ossos, articulações e alinhamento vertebral, mas não mostram diretamente a medula espinhal nem todas as lesões de tecidos moles. Tomografia ou ressonância magnética podem ser necessárias quando a localização neurológica ou a suspeita clínica justificar investigação avançada.
Exames de sangue e urina podem identificar doenças metabólicas, inflamatórias ou exposição a substâncias que alteram força e coordenação. Em situações selecionadas, análise de líquido cerebrospinal, eletrodiagnóstico ou avaliação de líquido articular complementa a investigação.
O tratamento depende do diagnóstico e pode envolver analgesia prescrita, controle de atividade, reabilitação, redução de peso e correção do ambiente. Compressões medulares, fraturas ou instabilidades podem precisar de cirurgia, enquanto algumas neuropatias e doenças articulares exigem manejo prolongado.
Não administre anti-inflamatórios, relaxantes musculares ou medicamentos humanos sem orientação veterinária. Além do risco de intoxicação, mascarar a dor pode permitir movimentos que agravem uma lesão instável e atrasar a identificação de perda neurológica progressiva.
O prognóstico é variável e depende da causa, da gravidade e da rapidez do atendimento. Um tropeço ocasional em piso irregular pode não se repetir, mas recorrência, progressão ou associação com dor, fraqueza e desgaste das unhas justificam avaliação clínica.
Kerwin SC, Taylor AR. Assessment of Orthopedic Versus Neurologic Causes of Gait Change in Dogs and Cats. Veterinary Clinics of North America: Small Animal Practice. 2021;51(2):253-261. PMID: 33446364.
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