Cachorro ofegante: o que pode ser e como agir
- Felipe Garofallo
- 21 de jul. de 2025
- 3 min de leitura
Atualizado: 12 de set. de 2025
Um cachorro ofegante pode gerar bastante preocupação nos tutores, especialmente quando esse comportamento surge de forma repentina ou fora de contexto, como durante o repouso ou em ambientes com temperatura agradável.

A ofegação, tecnicamente chamada de polipneia, é um padrão respiratório acelerado e superficial, normalmente associado a mecanismos naturais de termorregulação em cães.
Diferente dos humanos, os cães não transpiram de maneira eficiente, e por isso utilizam a respiração acelerada como forma de dissipar calor. Contudo, é essencial saber diferenciar quando essa resposta fisiológica é normal e quando ela pode indicar um problema de saúde.
Em situações de calor, exercício físico ou excitação, é completamente esperado que o cão fique ofegante. Trata-se de uma adaptação do organismo para equilibrar a temperatura corporal, favorecendo a troca de calor com o ambiente.
Cães de focinho curto, como o Bulldog Francês, Pug e Shih Tzu, tendem a apresentar uma respiração mais ruidosa e ofegante mesmo em repouso, devido à anatomia do seu sistema respiratório. Essa condição, conhecida como síndrome braquicefálica, pode ser agravada por obesidade, estresse térmico ou esforço físico intenso, exigindo atenção redobrada.
Por outro lado, quando o cachorro fica ofegante sem motivo aparente, é fundamental considerar causas patológicas. A dor é uma das principais razões para um padrão respiratório alterado. Cães com dores ortopédicas, abdominais ou provenientes de traumas podem apresentar respiração ofegante mesmo quando estão em repouso.
Nesses casos, é comum observar outros sinais associados, como inquietação, mudança de comportamento, recusa a se movimentar ou a se alimentar.
Doenças cardíacas também entram na lista de possíveis causas. A insuficiência cardíaca congestiva, por exemplo, pode provocar acúmulo de líquido nos pulmões (edema pulmonar), dificultando a respiração e levando à ofegação persistente, sobretudo durante a noite ou após exercícios leves.
Problemas pulmonares, como pneumonia, colapso traqueal, presença de corpos estranhos ou neoplasias, também devem ser considerados diante de uma respiração acelerada. A coloração das mucosas pode ajudar a avaliar a gravidade do quadro: gengivas azuladas ou arroxeadas indicam hipóxia e exigem atendimento emergencial.
Além disso, quadros de ansiedade, dor aguda ou intoxicações por substâncias diversas podem cursar com ofegação intensa. O envenenamento, por exemplo, pode se manifestar inicialmente por respiração ofegante, salivação excessiva e agitação, evoluindo rapidamente para convulsões e morte se não tratado a tempo.
Diante de um cachorro ofegante, o tutor deve observar o contexto em que isso ocorre, avaliar se há outros sintomas associados e, na dúvida, buscar ajuda veterinária o quanto antes.
Em especial se a respiração estiver associada a sons anormais (estridores, roncos), coloração das mucosas alterada, prostração ou sinais de dor, a avaliação profissional se torna indispensável.
Muitas vezes, exames complementares como radiografias torácicas, ecocardiogramas, hemogramas e até exames ortopédicos detalhados são necessários para identificar a causa do problema.
Ofegar é, em muitos casos, uma resposta fisiológica natural nos cães. Mas quando surge fora do esperado, pode ser sinal de alerta importante para problemas respiratórios, cardíacos, ortopédicos ou sistêmicos. Observar, interpretar e agir de forma consciente pode salvar vidas.
Referências bibliográficas:
Nelson, R. W., & Couto, C. G. (2015). Medicina Interna de Pequenos Animais. Elsevier Health Sciences.
Ettinger, S. J., & Feldman, E. C. (2017). Textbook of Veterinary Internal Medicine. Elsevier.
Sobre o autor

Felipe Garofallo é médico-veterinário (CRMV/SP 39.972) especializado em ortopedia e neurocirurgia de cães e gatos e proprietário da empresa Ortho for Pets: Ortopedia Veterinária e Especialidades.