Luxação de patela em cães grandes
- Felipe Garofallo

- 11 de mai.
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Atualizado: 22 de mai.
A luxação de patela é uma das doenças ortopédicas mais conhecidas em cães de pequeno porte, mas também pode ocorrer em cães grandes e gigantes.

Apesar de menos frequente nesses animais, quando presente, essa alteração costuma estar associada a mudanças biomecânicas importantes nos membros pélvicos e pode causar impacto significativo na qualidade de vida do paciente.
A patela é um pequeno osso localizado na região do joelho, inserido no mecanismo do músculo quadríceps. Durante a movimentação do membro, ela desliza dentro de um sulco do fêmur chamado tróclea femoral.
Na luxação de patela, esse osso perde o alinhamento normal e se desloca para a parte medial ou lateral do joelho, comprometendo a estabilidade articular e alterando a mecânica da locomoção.
Em cães grandes, a luxação lateral de patela tende a ser relativamente mais comum do que em cães pequenos, especialmente em raças como Akita, Labrador Retriever, Golden Retriever, Boxer, Chow Chow, Pastor Alemão e São Bernardo.
Alterações no alinhamento do fêmur e da tíbia, deformidades angulares, crescimento ósseo inadequado e predisposição genética estão entre os principais fatores envolvidos no desenvolvimento da doença.
Os sinais clínicos podem variar conforme o grau da luxação e o estágio da doença. Alguns cães apresentam episódios intermitentes de claudicação, enquanto outros desenvolvem dificuldade progressiva para caminhar, correr ou levantar.
Em situações mais avançadas, o animal pode apresentar dor, rigidez articular, perda muscular e redução importante da mobilidade. Como os cães grandes exercem maior carga sobre as articulações, a instabilidade causada pela luxação pode favorecer desgaste precoce da cartilagem e evolução acelerada da osteoartrose.
Em muitos casos, a luxação de patela em cães grandes não ocorre isoladamente. É relativamente comum a associação com ruptura do ligamento cruzado cranial, deformidades ósseas e outras alterações ortopédicas do joelho.
Por isso, o diagnóstico adequado exige avaliação ortopédica completa, exame físico detalhado e exames de imagem, como radiografias. Em alguns pacientes, exames avançados como a tomografia computadorizada podem ser indicados para planejamento cirúrgico mais preciso.
A classificação da luxação de patela é geralmente dividida em quatro graus. Nos graus mais leves, a patela pode luxar apenas ocasionalmente e retornar espontaneamente à posição normal. Já nos graus mais avançados, a patela permanece deslocada de forma constante, causando deformidades progressivas e comprometimento importante da função do membro.
Em cães grandes, luxações mais severas costumam exigir abordagem cirúrgica mais complexa devido às alterações ósseas associadas.
O tratamento depende da gravidade da doença, da presença de dor, do grau de instabilidade e do impacto funcional na rotina do animal.
Casos leves podem ser acompanhados clinicamente em situações específicas, especialmente quando o cão apresenta poucos sinais clínicos. Entretanto, muitos pacientes necessitam de cirurgia para correção do alinhamento do mecanismo extensor e estabilização do joelho.
Os procedimentos podem incluir aprofundamento da tróclea femoral, transposição da tuberosidade tibial, reconstrução de tecidos moles e correção de deformidades ósseas.
O pós-operatório exige atenção cuidadosa para alcançar boa recuperação funcional. Controle de peso, restrição de atividade física, fisioterapia veterinária e acompanhamento ortopédico são fundamentais para reduzir complicações e melhorar os resultados a longo prazo.
Em cães grandes, o fortalecimento muscular e o manejo adequado da recuperação têm papel ainda mais importante devido à maior carga exercida sobre as articulações.
O diagnóstico precoce costuma fazer diferença significativa no prognóstico. Muitos cães apresentam sinais discretos no início da doença, o que faz com que a avaliação ortopédica seja adiada.
Quanto mais cedo a alteração for identificada, maiores as chances de evitar progressão da instabilidade, desgaste articular e desenvolvimento de osteoartrose severa.
Referências bibliográficas
FOSSUM, T. W. Small Animal Surgery. 5. ed. St. Louis: Elsevier, 2018.
PIERMATTEI, D. L.; FLO, G. L.; DECAMP, C. E. Brinker, Piermattei and Flo’s Handbook of Small Animal Orthopedics and Fracture Repair. 5. ed. St. Louis: Elsevier, 2016.
Sobre o autor

Felipe Garofallo é médico-veterinário (CRMV/SP 39.972) especializado em ortopedia e neurocirurgia de cães e gatos e proprietário da empresa Ortho for Pets: Ortopedia Veterinária e Especialidades.