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Luxação de patela em cães grandes

Atualizado: 22 de mai.

A luxação de patela é uma das doenças ortopédicas mais conhecidas em cães de pequeno porte, mas também pode ocorrer em cães grandes e gigantes.



Apesar de menos frequente nesses animais, quando presente, essa alteração costuma estar associada a mudanças biomecânicas importantes nos membros pélvicos e pode causar impacto significativo na qualidade de vida do paciente.

A patela é um pequeno osso localizado na região do joelho, inserido no mecanismo do músculo quadríceps. Durante a movimentação do membro, ela desliza dentro de um sulco do fêmur chamado tróclea femoral.


Na luxação de patela, esse osso perde o alinhamento normal e se desloca para a parte medial ou lateral do joelho, comprometendo a estabilidade articular e alterando a mecânica da locomoção.

Em cães grandes, a luxação lateral de patela tende a ser relativamente mais comum do que em cães pequenos, especialmente em raças como Akita, Labrador Retriever, Golden Retriever, Boxer, Chow Chow, Pastor Alemão e São Bernardo.


Alterações no alinhamento do fêmur e da tíbia, deformidades angulares, crescimento ósseo inadequado e predisposição genética estão entre os principais fatores envolvidos no desenvolvimento da doença.

Os sinais clínicos podem variar conforme o grau da luxação e o estágio da doença. Alguns cães apresentam episódios intermitentes de claudicação, enquanto outros desenvolvem dificuldade progressiva para caminhar, correr ou levantar.


Em situações mais avançadas, o animal pode apresentar dor, rigidez articular, perda muscular e redução importante da mobilidade. Como os cães grandes exercem maior carga sobre as articulações, a instabilidade causada pela luxação pode favorecer desgaste precoce da cartilagem e evolução acelerada da osteoartrose.

Em muitos casos, a luxação de patela em cães grandes não ocorre isoladamente. É relativamente comum a associação com ruptura do ligamento cruzado cranial, deformidades ósseas e outras alterações ortopédicas do joelho.


Por isso, o diagnóstico adequado exige avaliação ortopédica completa, exame físico detalhado e exames de imagem, como radiografias. Em alguns pacientes, exames avançados como a tomografia computadorizada podem ser indicados para planejamento cirúrgico mais preciso.


A classificação da luxação de patela é geralmente dividida em quatro graus. Nos graus mais leves, a patela pode luxar apenas ocasionalmente e retornar espontaneamente à posição normal. Já nos graus mais avançados, a patela permanece deslocada de forma constante, causando deformidades progressivas e comprometimento importante da função do membro.


Em cães grandes, luxações mais severas costumam exigir abordagem cirúrgica mais complexa devido às alterações ósseas associadas.


O tratamento depende da gravidade da doença, da presença de dor, do grau de instabilidade e do impacto funcional na rotina do animal.


Casos leves podem ser acompanhados clinicamente em situações específicas, especialmente quando o cão apresenta poucos sinais clínicos. Entretanto, muitos pacientes necessitam de cirurgia para correção do alinhamento do mecanismo extensor e estabilização do joelho.


Os procedimentos podem incluir aprofundamento da tróclea femoral, transposição da tuberosidade tibial, reconstrução de tecidos moles e correção de deformidades ósseas.


O pós-operatório exige atenção cuidadosa para alcançar boa recuperação funcional. Controle de peso, restrição de atividade física, fisioterapia veterinária e acompanhamento ortopédico são fundamentais para reduzir complicações e melhorar os resultados a longo prazo.


Em cães grandes, o fortalecimento muscular e o manejo adequado da recuperação têm papel ainda mais importante devido à maior carga exercida sobre as articulações.


O diagnóstico precoce costuma fazer diferença significativa no prognóstico. Muitos cães apresentam sinais discretos no início da doença, o que faz com que a avaliação ortopédica seja adiada.


Quanto mais cedo a alteração for identificada, maiores as chances de evitar progressão da instabilidade, desgaste articular e desenvolvimento de osteoartrose severa.


Referências bibliográficas


FOSSUM, T. W. Small Animal Surgery. 5. ed. St. Louis: Elsevier, 2018.

PIERMATTEI, D. L.; FLO, G. L.; DECAMP, C. E. Brinker, Piermattei and Flo’s Handbook of Small Animal Orthopedics and Fracture Repair. 5. ed. St. Louis: Elsevier, 2016.


Sobre o autor


Dr. Felipe Garofallo, veterinário ortopedista, especializado no diagnóstico e tratamento de problemas articulares e musculoesqueléticos em cães

Felipe Garofallo é médico-veterinário (CRMV/SP 39.972) especializado em ortopedia e neurocirurgia de cães e gatos e proprietário da empresa Ortho for Pets: Ortopedia Veterinária e Especialidades.


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