Cachorro com unha gasta de um lado: pode ser alteração na marcha?
- Felipe Garofallo

- 19 de jul.
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Atualizado: há 6 horas
Uma unha mais gasta do que as outras pode parecer apenas detalhe de piso, passeio ou corte irregular.

Mas, quando o desgaste é repetitivo, principalmente em uma pata específica, ele pode indicar que o cachorro não está posicionando o membro corretamente ao caminhar. Esse sinal merece atenção porque pode aparecer antes da mancada evidente.
O desgaste anormal costuma surgir quando a ponta da unha raspa no chão durante a passada. Em cães com alteração neurológica, isso pode acontecer por perda de propriocepção, fraqueza ou atraso no reposicionamento da pata. O tutor percebe um barulho no piso, uma unha achatada, arranhões no chão ou tropeços discretos. Às vezes o cão parece andar normalmente, mas o padrão da unha revela que algo mudou.
Doenças da coluna e da medula podem causar esse tipo de alteração. Hérnias de disco, compressões, alterações lombossacras e doenças degenerativas podem prejudicar a coordenação dos membros. Quando o desgaste da unha vem acompanhado de patas cruzando, tropeços, quedas ou andar cambaleante, a avaliação neurológica se torna muito importante.
Também existem causas ortopédicas. Dor no quadril, joelho, tarso, ombro ou cotovelo pode fazer o cão mudar o jeito de apoiar a pata. Se ele evita flexionar uma articulação ou transfere o peso para outro membro, a unha pode tocar o chão de forma diferente. Artrose, displasia, ruptura de ligamento cruzado, luxação de patela e sequelas de trauma podem estar envolvidas.
Um detalhe importante é comparar os lados. Se apenas uma unha de uma pata está mais curta, penso em alteração localizada. Se várias unhas traseiras estão gastas, considero problemas que afetam coordenação ou força dos membros posteriores. Se o sinal progride, aparece em pisos diferentes ou se associa a fraqueza, não convém esperar.
O diagnóstico exige observação da marcha. Eu avalio o cão andando em linha reta, em curvas, em piso diferente e, quando possível, em velocidade lenta e natural. Também examino unhas, coxins, articulações, coluna, musculatura e reflexos. Radiografias podem ajudar em alterações ortopédicas e de coluna. Em casos neurológicos específicos, tomografia ou ressonância podem ser indicadas.
O tratamento depende da origem. Em problemas ortopédicos, pode envolver controle de peso, fisioterapia, analgesia, fortalecimento, correção cirúrgica ou manejo da doença articular. Em problemas neurológicos, o tratamento pode variar de repouso e medicação a cirurgia, conforme a gravidade. Medicamentos para dor, anti-inflamatórios ou fármacos neurológicos precisam de avaliação do médico-veterinário. A automedicação pode colocar o animal em risco.
Em casa, não basta cortar a unha mais curta e esquecer o problema. O corte pode melhorar o aspecto, mas não corrige a causa do desgaste. O ideal é fotografar a unha, filmar o cão caminhando e observar se ele tropeça, arrasta a pata, evita escadas ou parece cansar mais rápido. Essas informações ajudam a direcionar o exame.
Uma unha gasta de um lado pode ser um aviso precoce. Quando o tutor reconhece esse sinal cedo, muitas vezes conseguimos investigar antes que a perda de função avance.
Referências bibliográficas
Olby, N. J.; Moore, S. A.; Brisson, B.; et al. ACVIM consensus statement on diagnosis and management of acute canine thoracolumbar intervertebral disc extrusion. Journal of Veterinary Internal Medicine, v. 36, n. 5, p. 1570-1596, 2022. doi: 10.1111/jvim.16480.
Epstein, M. E.; Rodan, I.; Griffenhagen, G.; et al. 2022 AAHA Pain Management Guidelines for Dogs and Cats. Journal of the American Animal Hospital Association, 2022.
Sobre o autor

Felipe Garofallo é médico-veterinário (CRMV/SP 39.972) especializado em ortopedia e neurocirurgia de cães e gatos e proprietário da empresa Ortho for Pets: Ortopedia Veterinária e Especialidades.