Cachorro com unha gasta de um lado: pode ser alteração na marcha?
Desgaste maior das unhas de um lado pode fornecer uma pista sobre como o cão coloca e retira a pata do chão. O achado não define sozinho um diagnóstico, porque superfície dos passeios, comprimento das unhas, atividade e conformação também influenciam o atrito.

Quando o dorso das unhas raspa repetidamente, pode haver atraso na retirada do membro ou dificuldade para perceber a posição da pata. Déficits proprioceptivos, fraqueza e ataxia decorrentes de alterações da medula, raízes nervosas ou nervos periféricos estão entre as causas possíveis.
Dor ortopédica também pode mudar o arco e o tempo do passo. Doenças articulares, lesões musculares ou tendíneas e instabilidade podem reduzir a flexão, alterar a distribuição de peso e produzir desgaste assimétrico sem que exista uma lesão neurológica.
É importante distinguir desgaste na ponta, abrasão do dorso, unha quebrada e crescimento irregular. Inflamação ao redor da unha, sangramento, odor, secreção, massa ou dor localizada direcionam a investigação para trauma, infecção ou doença do leito ungueal.
Observe se o cão tropeça, cruza os membros, arrasta a pata, escorrega, apresenta mancada ou demora para se levantar. Fotografias seriadas das unhas e vídeos da marcha em piso regular ajudam a mostrar progressão e lateralidade sem provocar esforço excessivo.
Não faça testes dobrando repetidamente a pata nem prolongue caminhadas para verificar o desgaste. Proteja abrasões, mantenha as unhas em comprimento seguro e reduza atividades em superfícies ásperas até que o animal seja examinado.
Procure atendimento urgente se houver perda súbita de movimento, incapacidade de ficar em pé, dor intensa na coluna, trauma, sangramento persistente ou perda de controle urinário. Desgaste progressivo associado a fraqueza também merece avaliação breve para evitar feridas e perda funcional.
O exame inclui inspeção de todas as unhas e coxins, observação da marcha e comparação da massa muscular e das articulações. Reações posturais, reflexos, tônus e palpação da coluna ajudam a localizar déficits neurológicos, enquanto o exame ortopédico investiga dor e instabilidade.
Radiografias podem avaliar ossos, articulações e algumas alterações vertebrais, mas não demonstram diretamente muitas lesões da medula e dos tecidos moles. Tomografia, ressonância magnética, eletrodiagnóstico ou exames laboratoriais são selecionados conforme a localização clínica.
O tratamento deve corrigir a causa e proteger a pata durante a recuperação. Pode incluir analgesia prescrita, controle de atividade, reabilitação, melhora de tração, tratamento de infecção ou ferida e, em compressões ou instabilidades específicas, cirurgia.
Botas e protetores podem reduzir abrasão em situações selecionadas, mas precisam de ajuste e inspeção frequente para não causar umidade, pressão ou novas lesões. Eles não substituem a investigação de uma alteração progressiva da marcha.
O prognóstico depende da origem e do grau de déficit. Desgaste puramente mecânico pode estabilizar com ajustes simples, enquanto doenças neurológicas ou ortopédicas exigem acompanhamento; comparar marcha, integridade da pele e crescimento das unhas ajuda a medir a resposta.
Kerwin SC, Taylor AR. Assessment of Orthopedic Versus Neurologic Causes of Gait Change in Dogs and Cats. Veterinary Clinics of North America: Small Animal Practice. 2021;51(2):253-261. PMID: 33446364.
Griffin JF 4th, Levine JM, Kerwin SC. Canine thoracolumbar intervertebral disk disease: pathophysiology, neurologic examination, and emergency medical therapy. Compendium: Continuing Education for Veterinarians. 2009;31(3):E2. PMID: 19412899.
