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Cachorro com coluna arqueada: quando se preocupar?

Manter o dorso arqueado, postura chamada cifose, pode ser uma resposta de proteção à dor, mas não aponta sozinho para uma única doença. A origem pode estar na coluna, no abdome ou em estruturas musculoesqueléticas, e o contexto clínico define a urgência.

Cão em estação com o dorso arqueado enquanto profissional veterinária avalia sua postura

Dor provocada por doença do disco intervertebral, inflamação, infecção, trauma, fratura ou neoplasia vertebral pode levar o cão a enrijecer o tronco e reduzir movimentos. Espasmo muscular pode acompanhar a dor, mas não deve ser tratado como diagnóstico independente.

Doenças abdominais também podem causar postura encurvada. Pancreatite, obstrução gastrointestinal, doença urinária e outras condições viscerais precisam ser consideradas quando há vômito, falta de apetite, distensão, esforço para urinar ou sensibilidade abdominal.

Quando existe comprometimento medular, podem surgir ataxia, fraqueza, arrastar unhas, cruzar membros e perda de movimento. Alterações na micção ou defecação associadas a déficits neurológicos aumentam a urgência.

Evite apertar a coluna, alongar o animal ou fazê-lo subir escadas para testar a dor. Restrinja saltos e corridas, transporte cães pequenos com tórax e pelve apoiados e mantenha cães maiores em deslocamentos mínimos e controlados.

Dor intensa, incapacidade de caminhar, piora em horas, trauma, paralisia, dificuldade para urinar, abdome distendido, vômitos repetidos ou colapso exigem atendimento imediato. Quadros neurológicos progressivos podem perder opções e prognóstico se houver atraso.

O exame clínico avalia sinais vitais, abdome, postura, marcha e palpação cuidadosa. O exame neurológico localiza possíveis lesões por meio de reações posturais, reflexos, tônus e avaliação de dor, enquanto o ortopédico busca causas locomotoras concorrentes.

Radiografias podem identificar fratura, alterações ósseas e alguns diagnósticos abdominais, mas não confirmam nem excluem sozinhas compressão da medula. Tomografia ou ressonância magnética geralmente são necessárias quando a suspeita de doença discal ou outra lesão neurológica exige definição anatômica.

Exames de sangue, urina e ultrassonografia abdominal ajudam a investigar causas viscerais e condições que influenciam anestesia e tratamento. A escolha dos testes deve seguir a localização clínica, e não apenas a aparência arqueada do dorso.

O tratamento depende da causa e da gravidade. Pode envolver analgesia prescrita, repouso controlado e reabilitação, tratamento de doença abdominal ou cirurgia descompressiva e estabilização em lesões neurológicas e vertebrais selecionadas.

Não administre anti-inflamatórios ou corticoides por conta própria e nunca combine essas classes sem orientação. Além de efeitos gastrointestinais e renais, o uso inadequado pode mascarar progressão e complicar o tratamento definitivo.

O prognóstico varia de favorável em dor muscular ou visceral reversível a reservado em lesões medulares graves ou neoplasias. Postura persistente, recorrente ou acompanhada de qualquer alteração sistêmica ou neurológica merece avaliação veterinária.

Olby NJ, Moore SA, Brisson B, et al. ACVIM consensus statement on diagnosis and management of acute canine thoracolumbar intervertebral disc extrusion. Journal of Veterinary Internal Medicine. 2022;36(5):1570-1596. PMID: 35880267.

Griffin JF 4th, Levine JM, Kerwin SC. Canine thoracolumbar intervertebral disk disease: pathophysiology, neurologic examination, and emergency medical therapy. Compendium: Continuing Education for Veterinarians. 2009;31(3):E2. PMID: 19412899.

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