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Cachorro andando cambaleando: O que pode ser?

Atualizado: 12 de set. de 2025

Quando um cachorro começa a andar cambaleando, é natural que os tutores fiquem assustados e preocupados com o que pode estar acontecendo.



Esse tipo de alteração na marcha, também chamada de ataxia, pode ter causas variadas, que vão desde problemas ortopédicos até distúrbios neurológicos ou vestibulares. Por isso, é essencial observar atentamente os demais sinais que o animal apresenta e buscar ajuda veterinária o quanto antes.


A ataxia é um termo médico utilizado para descrever a falta de coordenação dos movimentos, que pode fazer com que o animal tropece, tenha dificuldade para se equilibrar, escorregue com frequência ou caminhe com as patas abertas, como se tentasse se firmar no chão.


Em alguns casos, o cão também pode apresentar movimentos exagerados de elevação dos membros, tremores de cabeça, quedas frequentes e dificuldade para se levantar. A causa mais comum de ataxia em cães está relacionada ao sistema nervoso, embora alterações ortopédicas, metabólicas e até intoxicações também possam estar por trás desse sintoma.


Do ponto de vista neurológico, podemos dividir a ataxia em três tipos principais: a ataxia vestibular, a ataxia cerebelar e a ataxia proprioceptiva. A ataxia vestibular costuma ser causada por alterações no ouvido interno ou nos nervos responsáveis pelo equilíbrio.


Nesse caso, é comum o cão apresentar a cabeça inclinada para um lado, movimentos involuntários dos olhos (nistagmo), vômitos, dificuldade para se manter em pé e tendência a girar em círculos. Já a ataxia cerebelar está relacionada a alterações no cerebelo, região do cérebro responsável pela coordenação dos movimentos.


Cães com esse tipo de ataxia costumam apresentar tremores, marcha descoordenada e dificuldade de controle motor, especialmente em situações que exigem precisão, como subir escadas ou pular.


Por fim, a ataxia proprioceptiva ocorre quando há lesões na medula espinhal ou nos nervos periféricos, fazendo com que o cão perca a noção da posição de suas patas no espaço. É comum que esses cães arrastem os membros, especialmente os posteriores, ou demorem para corrigir a posição das patas ao andar.


Mas nem sempre a causa é neurológica. Alterações ortopédicas também podem causar um andar cambaleante.


Dores intensas nas articulações, luxações, fraturas, displasias ou até doenças degenerativas das articulações podem gerar instabilidade nos movimentos e insegurança ao andar. Cães com dor muitas vezes evitam apoiar uma ou mais patas no chão, o que pode causar desequilíbrios, principalmente em pisos lisos.


Nestes casos, a marcha cambaleante não é por descoordenação, mas por evitar o movimento que gera dor. A diferença é sutil, mas importante, e só um exame físico cuidadoso pode diferenciá-las com segurança.


Outro ponto importante a ser investigado são as causas metabólicas. Hipoglicemia, distúrbios hepáticos, intoxicações por plantas, medicamentos ou produtos de limpeza, além de alterações endócrinas como o hipotireoidismo, podem interferir diretamente na função neuromuscular do animal. Filhotes e cães de raças toy são particularmente mais vulneráveis a episódios de hipoglicemia, especialmente quando ficam longos períodos sem se alimentar.


Em casos mais graves, a marcha cambaleante pode ser o primeiro sinal de uma doença progressiva e incapacitante, como uma hérnia de disco em cães de coluna longa, como os daschunds, ou uma mielopatia degenerativa, condição comum em raças como o pastor alemão. Nesses casos, o sintoma pode começar de forma discreta, com um leve arrastar das patas traseiras, e evoluir para paralisia se não houver intervenção precoce.


Diante de tantas possibilidades, o mais indicado é levar o cão para uma avaliação veterinária assim que os primeiros sinais forem observados.


O diagnóstico costuma envolver uma combinação de exame físico, exames neurológicos específicos, radiografias, exames laboratoriais e, em alguns casos, exames mais complexos como tomografia ou ressonância magnética. O tratamento vai depender da causa identificada e pode incluir medicações, fisioterapia, cirurgia, controle da dor e suporte nutricional, entre outras abordagens.


O importante é lembrar que, independentemente da causa, o sinal de cambalear ao andar nunca deve ser ignorado. Quanto mais cedo for feito o diagnóstico, maiores são as chances de recuperação e de controle da doença de base. A observação atenta dos tutores e a busca rápida por atendimento especializado são fundamentais para garantir a saúde e a qualidade de vida dos cães.


Referências bibliográficas:


de Lahunta, A., Glass, E., & Kent, M. (2014). Veterinary Neuroanatomy and Clinical Neurology. Elsevier Health Sciences.Platt, S. R., & Olby, N. J. (2013). BSAVA Manual of Canine and Feline Neurology. British Small Animal Veterinary Association.


Sobre o autor


Dr. Felipe Garofallo, veterinário ortopedista, especializado no diagnóstico e tratamento de problemas articulares e musculoesqueléticos em cães

Felipe Garofallo é médico-veterinário (CRMV/SP 39.972) especializado em ortopedia e neurocirurgia de cães e gatos e proprietário da empresa Ortho for Pets: Ortopedia Veterinária e Especialidades.


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