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Síndrome de cushing em cães e lesões ligamentares

Atualizado: 5 de abr.

A síndrome de Cushing em cães, também conhecida como hiperadrenocorticismo, é uma condição endócrina que resulta em níveis elevados de cortisol, um hormônio produzido pelas glândulas adrenais.


Essa síndrome pode ter origens diversas, sendo classificada em dois tipos principais: o Cushing pituitário-dependente e o Cushing adrenal-dependente.

O Cushing pituitário-dependente é mais comum e ocorre quando há um tumor na glândula pituitária, localizada no cérebro. Esse tumor estimula a produção excessiva de hormônio adrenocorticotrófico (ACTH), que, por sua vez, leva as glândulas adrenais a liberarem cortisol em excesso. No Cushing adrenal-dependente, um tumor nas próprias glândulas adrenais é o responsável pela produção descontrolada de cortisol.

Os sintomas da síndrome de Cushing em cães são variados e podem incluir aumento da sede e da micção, aumento do apetite, ganho de peso, perda de pelos, fraqueza muscular, abdômen distendido e infecções recorrentes.


O cortisol é um hormônio esteroide produzido pelas glândulas adrenais em resposta ao estresse. Esse hormônio desempenha um papel crucial na regulação de diversas funções fisiológicas, incluindo o metabolismo, o sistema imunológico e a resposta ao estresse.


No entanto, quando os níveis de cortisol estão elevados por um período prolongado, seja devido ao estresse crônico ou a condições como a síndrome de Cushing, isso pode ter efeitos negativos sobre o sistema musculoesquelético, incluindo os ligamentos.


O aumento crônico do cortisol pode levar à degradação das proteínas dos tecidos conectivos, como colágeno e elastina, que são componentes essenciais dos ligamentos. Os ligamentos são estruturas fibrosas que conectam os ossos entre si, proporcionando estabilidade e suporte às articulações. Quando essas estruturas são enfraquecidas devido à ação do cortisol, o risco de lesões ligamentares aumenta, como a ruptura do ligamento cruzado cranial.

É importante destacar que o aumento do cortisol não é o único fator que contribui para as lesões ligamentares. Outros elementos, como predisposição genética, atividade física intensa, doenças autoimunes, traumatismos diretos e condições ambientais, também desempenham papéis significativos. Contudo, o cortisol elevado pode ser um componente adicional que influencia a integridade dos tecidos conectivos.

O diagnóstico do hiperadrenocorticismo é realizado por meio de exames clínicos, análises laboratoriais, como o teste de supressão de baixa dose de dexametasona, e exames de imagem, como ultrassonografia abdominal.

O tratamento da síndrome de Cushing em cães pode envolver diferentes abordagens, dependendo do tipo e da gravidade da condição. Na maioria, o tratamento medicamentoso é adotado para controlar os sintomas.


Em alguns casos de Cushing pituitário-dependente, a cirurgia para remover o tumor na glândula pituitária pode ser recomendada. Em situações de Cushing adrenal-dependente, a remoção cirúrgica do tumor adrenal pode ser necessária.

Medicamentos como o trilostano, que inibem a produção de cortisol, podem ser prescritos para gerenciar a síndrome de Cushing em cães.


A administração desses medicamentos requer monitoramento regular dos níveis de cortisol, pois é importante encontrar a dose adequada para controlar os sintomas sem causar efeitos colaterais indesejados.


Além disso, a terapia de suporte pode ser essencial no manejo da síndrome de Cushing em cães. Isso inclui cuidados nutricionais, controle de peso, atividade física adequada e tratamento de condições secundárias, como infecções.


É crucial que os tutores estejam atentos aos sinais clínicos e levem seus cães ao veterinário endocrinologista para avaliação assim que notarem qualquer alteração no comportamento ou na saúde do animal. O diagnóstico precoce e o tratamento adequado podem melhorar significativamente a qualidade de vida do cão afetado pela síndrome de Cushing.


Referências bibliográficas


De Bruin, Christiaan & Meij, Björn & Kooistra, Hans & Hanson, Jeanette & Lamberts, S.W.J. & Hofland, Leo. (2009). Cushing's Disease in Dogs and Humans. Hormone research. 71 Suppl 1. 140-3. 10.1159/000178058.


Forrester, S. & Martínez, N & Panciera, D & Moon, M & Pickett, C & Ward, Daniel. (2003). Absence of urinary tract infection in dogs with experimentally induced hyperadrenocorticism. Research in veterinary science. 74. 179-82. 10.1016/S0034-5288(02)00188-1.


Sobre o autor

Felipe Garofallo é médico-veterinário (CRMV/SP 39.972), especializado em ortopedia e neurocirurgia de cães e gatos e proprietário da empresa Ortho for Pets: Ortopedia Veterinária e Especialidades. Agende uma consulta presencial ou consultoria on-line pelo whatsapp (11)91258-5102.

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