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Como diagnosticar displasia coxofemoral em cães filhotes

Diagnosticar displasia coxofemoral em cães filhotes é um passo crucial para garantir a saúde e o bem-estar dos cães a longo prazo.


A displasia coxofemoral, também conhecida como displasia de quadril, é uma condição genética que afeta o desenvolvimento da articulação do quadril, levando a instabilidade e, eventualmente, à artrite dolorosa. Identificar esta condição precocemente pode permitir intervenções que retardem ou mesmo previnam o desenvolvimento de artrite grave.


O método PennHip é um dos métodos mais avançados e precisos para diagnosticar displasia coxofemoral em cães, especialmente em filhotes a partir de 16 semanas de idade. Desenvolvido pela Universidade da Pensilvânia, o PennHip é um protocolo radiográfico que mede a laxidão na articulação do quadril, que é um indicador precoce da tendência para desenvolver displasia de quadril.


Para realizar o diagnóstico através do método PennHip, o cão deve ser sedado ou anestesiado levemente para permitir o posicionamento adequado e minimizar o desconforto durante o procedimento. Este nível de sedação é necessário para obter imagens radiográficas precisas e consistentes. O método PennHip envolve a obtenção de três projeções radiográficas distintas do quadril: a vista de distração, a vista de compressão e a vista padrão ou de extensão.


A vista com distração é a principal característica distintiva do método PennHip. Nessa técnica, um dispositivo especial chamado "distrator PennHip" é utilizado para aplicar uma força que separa levemente a cabeça do fêmur do acetábulo (o encaixe do quadril). Esta imagem permite medir a distração do quadril, que é a distância entre a cabeça do fêmur e o acetábulo. Essa medida é expressa como um índice de distração (DI). Um DI elevado indica uma maior laxidão articular, sugerindo uma maior probabilidade de desenvolvimento de displasia coxofemoral.


A vista de compressão, por outro lado, é obtida aplicando uma força que empurra a cabeça do fêmur para dentro do acetábulo. Esta imagem ajuda a avaliar a congruência da articulação, ou seja, quão bem a cabeça do fêmur se encaixa no acetábulo sob pressão. Uma boa congruência é um indicador positivo, enquanto uma má congruência pode sugerir problemas na articulação.


A vista padrão ou de extensão é semelhante à radiografia tradicional usada em outros métodos de avaliação de displasia de quadril, onde as pernas do cão são estendidas para trás. Esta imagem fornece uma visão global da anatomia do quadril e pode revelar sinais de alterações ósseas associadas à displasia coxofemoral.


Uma vez obtidas as radiografias, elas são avaliadas por veterinários treinados e certificados pelo programa PennHip. Os resultados são comparados a uma base de dados estatística que inclui uma ampla variedade de raças e idades, permitindo determinar o risco relativo de um cão desenvolver displasia de quadril ao longo da vida.


O método PennHip é particularmente útil porque pode ser realizado em cães jovens, proporcionando uma oportunidade precoce para intervenção. Em comparação com outros métodos, como a Avaliação da Displasia do Quadril pela OFA (Orthopedic Foundation for Animals), que geralmente só pode ser realizada em cães com 2 anos de idade ou mais, o PennHip oferece uma vantagem significativa em termos de diagnóstico precoce.


Após o diagnóstico, dependendo do grau de laxidão articular identificado, várias intervenções podem ser recomendadas. Para cães com alto risco de desenvolver displasia coxofemoral, mudanças no manejo, como controle rigoroso do peso, modificação da dieta e exercícios apropriados, podem ser implementadas para retardar a progressão da doença. Em alguns casos, a cirurgia preventiva, como a sinfisiodese púbica juvenil ou a osteotomia pélvica dupla/tríplice (DPO/TPO), pode ser considerada para melhorar a conformidade do quadril.


A principal vantagem do método PennHip é a sua capacidade de fornecer um diagnóstico preciso e precoce, permitindo que tutores e veterinários tomem medidas proativas para gerenciar a condição e melhorar a qualidade de vida do cão. Além disso, o método PennHip contribui para programas de melhoramento genético, ajudando criadores a selecionar cães com melhores conformações de quadril para reprodução, reduzindo a incidência de displasia coxofemoral em gerações futuras.


Em resumo, o diagnóstico da displasia coxofemoral em cães filhotes através do método PennHip é uma abordagem avançada e eficiente, oferecendo uma janela precoce para intervenções que podem ter um impacto significativo na saúde e no bem-estar do animal. Este método não só beneficia os cães individualmente, mas também contribui para a saúde global das populações caninas, promovendo práticas de criação mais responsáveis e informadas. Referências bibliográficas


Guilliard, Mike. (2014). The PennHIP method of predicting canine hip dysplasia. In Practice. 36. 66-74. 10.1136/inp.f7486.


Sobre o autor

Felipe Garofallo é médico-veterinário (CRMV/SP 39.972), especializado em ortopedia e neurocirurgia de cães e gatos e proprietário da empresa Ortho for Pets: Ortopedia Veterinária e Especialidades. Agende uma consulta presencial ou consultoria on-line por vídeo pelo whatsapp (11)91258-5102.



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