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Tratamento para cães com displasia coxofemoral

A displasia coxofemoral, ou displasia de quadril, é uma condição genética que afeta a articulação do quadril de cães, levando a instabilidade articular, dor e, eventualmente, artrite.


O tratamento para displasia coxofemoral em cães varia amplamente dependendo da gravidade da condição, idade do animal, nível de dor e outras considerações de saúde. Abordagens de tratamento podem ser divididas em métodos conservadores e cirúrgicos, cada uma com suas vantagens específicas.


O tratamento conservador é muitas vezes o primeiro passo para gerenciar displasia coxofemoral, especialmente em casos leves a moderados. Este método envolve uma combinação de gerenciamento de peso, fisioterapia, medicamentos e suplementos. O controle do peso é crucial, pois o excesso de peso coloca pressão adicional sobre as articulações já comprometidas, exacerbando a dor e a inflamação. Dietas especiais e programas de exercícios moderados são recomendados para ajudar os cães a manter um peso saudável. A fisioterapia pode incluir exercícios de fortalecimento muscular, hidroterapia e alongamentos que melhoram a mobilidade articular e reduzem a dor. Sessões regulares de fisioterapia realizadas por profissionais podem ser extremamente benéficas para melhorar a qualidade de vida do cão.


Os medicamentos desempenham um papel importante no tratamento conservador. Anti-inflamatórios não esteroidais (AINEs) são frequentemente prescritos para reduzir a inflamação e aliviar a dor. Em alguns casos, analgésicos mais fortes podem ser necessários para gerenciar a dor severa. Além dos medicamentos, suplementos articulares como glucosamina e condroitina são amplamente utilizados para promover a saúde das cartilagens e melhorar a função articular. Suplementos de ácidos graxos ômega-3 também podem ser adicionados à dieta do cão, devido às suas propriedades anti-inflamatórias.


Quando o tratamento conservador não proporciona alívio suficiente, ou em casos de displasia grave, a intervenção cirúrgica pode ser necessária. Existem várias opções cirúrgicas disponíveis, cada uma adequada a diferentes situações clínicas e estágios de desenvolvimento da doença. A sinfisiodese púbica juvenil é um procedimento preventivo realizado em filhotes jovens (normalmente com menos de 20 semanas de idade) que apresenta sinais iniciais de displasia de quadril. Este procedimento envolve a fusão de parte da sínfise púbica para alterar o crescimento da pelve, resultando em um melhor encaixe da cabeça do fêmur no acetábulo.


Para cães jovens com displasia moderada a grave, a osteotomia pélvica dupla ou tripla (DPO/TPO) pode ser uma opção. Estas cirurgias envolvem a realocação do acetábulo para melhorar a congruência articular. Estes procedimentos são mais invasivos e requerem um período significativo de recuperação, mas podem oferecer melhorias substanciais na função articular e alívio da dor.


Para cães mais velhos ou aqueles com displasia de quadril avançada, a substituição total do quadril (THR) pode ser a melhor opção. Este procedimento envolve a substituição da articulação do quadril por um implante protético, restaurando a função normal da articulação e eliminando a dor. A substituição total do quadril é considerada a opção mais eficaz para displasia coxofemoral grave, proporcionando uma melhora significativa na qualidade de vida do cão. No entanto, é uma cirurgia complexa e cara, exigindo um cirurgião veterinário experiente e um período de recuperação extensivo.


Outra opção cirúrgica para casos menos graves ou para cães que não são bons candidatos para substituição total do quadril é a excisão da cabeça e colo do fêmur (colocefalectomia). Este procedimento remove a cabeça e colo do fêmur, permitindo a formação de uma articulação falsa de tecido cicatricial que pode reduzir a dor. Embora a colocefalectomia não restaure a função normal do quadril, pode proporcionar alívio significativo da dor e melhorar a mobilidade, especialmente em cães de raças pequenas a médias.


Além dos tratamentos conservadores e cirúrgicos, o manejo da displasia coxofemoral pode incluir terapias complementares.


Acupuntura, terapia com laser de baixa intensidade e massoterapia são modalidades que têm mostrado benefícios na redução da dor e na melhoria da mobilidade articular. Estas terapias podem ser utilizadas em conjunto com outras formas de tratamento para proporcionar um alívio adicional e melhorar o bem-estar geral do cão.


Em resumo, o tratamento para displasia coxofemoral em cães é multifacetado e personalizado, dependendo das necessidades específicas do animal. A abordagem inicial geralmente envolve métodos conservadores, incluindo controle de peso, fisioterapia, medicamentos e suplementos. Quando esses métodos não são suficientes, várias opções cirúrgicas estão disponíveis, desde procedimentos preventivos em filhotes até cirurgias mais complexas em cães mais velhos.


Independentemente da abordagem escolhida, o objetivo é sempre melhorar a qualidade de vida do cão, reduzindo a dor e melhorando a mobilidade articular. O sucesso do tratamento depende de uma colaboração estreita entre veterinários, tutores e, em muitos casos, profissionais de reabilitação animal, garantindo que cada cão receba o cuidado e a atenção necessários para viver uma vida mais confortável e ativa.


Referências bibliográficas


Schachner, Emma & Lopez, Mandi. (2015). Diagnosis, prevention, and management of canine hip dysplasia: a review. Veterinary Medicine: Research and Reports. 6. 181-192. 10.2147/VMRR.S53266.


Sobre o autor

Felipe Garofallo é médico-veterinário (CRMV/SP 39.972), especializado em ortopedia e neurocirurgia de cães e gatos e proprietário da empresa Ortho for Pets: Ortopedia Veterinária e Especialidades. Agende uma consulta presencial ou consultoria on-line por vídeo pelo whatsapp (11)91258-5102.

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