Miosite dos Músculos Mastigatórios em Cachorros

Atualizado: 3 de Out de 2020


Na miosite dos músculos mastigatórios (MMM), o tutor costuma levar seu cão para a clínica veterinária ao reparar que ele não consegue comer por não abrir a boca, ou mesmo pela aparência atrofiada dos músculos da cabeça.


Os músculos acometidos são os que possuem importante função na mastigação. São eles: o masseter, temporal e pterigoide, todos eles tem fibras musculares do tipo 2M.


A doença ocorre devido a uma resposta imunomediada do organismo, que atua contra essas fibras musculares. Em alguns casos, há relatos de algum histórico de infecção prévia no paciente.


A miosite dos músculos mastigatórios pode ocorrer em qualquer raça, mas Rottweilers, Samoiedas, Dobermanns, Pinschers, Retrievers e Pastores Alemães foram até hoje os mais relatados.


Os cães de meia-idade são os mais propensos à doença, e não foi relatada predileção sexual.


Ao examinar o cão, caso ele esteja na forma aguda da doença, podemos encontrar edema dos músculos, dor ao palpar a mandíbula, dificuldade de engolir (disfagia), produção excessiva de saliva (sialorreia), e aumento dos linfonodos regionais.


Nesses casos, o cão muita vezes não consegue abrir a boca (tem o chamado trismo mandibular) mesmo em anestesia profunda.


Enquanto isso, forma crônica, observamos um paciente com atrofia progressiva, bilateral e simétrica da musculatura.


O diagnóstico pode ser confirmado pela biópsia muscular, geralmente do músculo temporal.


A biópsia poderá revelar necrose e fagocitose das fibras musculares 2M,  intenso infiltrado perivascular de linfócitos e plasmócitos, além de poucos histiócitos, eosinófilos e neutrófilos.


A terapia para tratamento da MMM é à base de imunossupressores, até que a creatinina quinase (CK) e a função mastigatória se normalizem.


Além disso, os pacientes também podem ser submetidos a alimentação por sonda.


Como a miosite dos músculos mastigatórios tem um caráter esporádico, ou seja, é uma doença que não aparece sempre, o diagnóstico pelo clínico costuma ser difícil de ser realizado. 


Por isso, os achados de exame físico e anamnese devem ser sempre correlacionados, assim como a biópsia muscular.


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Referências


Lewis, R. M. 1994. Immune-mediated muscle disease. Veterinary Clinics of North America: Small Animal Practice, 24, 703-710.


Anderson, J. G. & Harvey, C. E. 1993. Munich, Alemanha. Veterinary Dentistry, 10, 6-8.


Nelson, R. W. & Couto, C. G. 2015. Medicina interna de pequenos animais. Elsevier Editora, Amsterdan.

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