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Discoespondilite em cães

Atualizado: 1 de dez. de 2021

Sinônimo: espondilodiscite em cães


Definição


A discoespondilite é uma infecção dos discos intervertebrais e das vértebras adjacentes, e pode ser uma doença bacteriana ou fúngica. Ocorre em um segmento específico da coluna ou em vários.


Predisposição racial


É uma doença rara em gatos, e mais comum em cães de raças grandes, como dogue alemão, pastores alemães, boxers, rottweilers, doberman pinschers e buldogues ingleses, uma vez que ocorre em raças predispostas à degeneração de disco. Alguns cães têm maior probabilidade de desenvolver discoespondilite do que outros devido à infecções crônicas, como doenças de pele e imunossupressão por esteroides, quimioterapia e idade avançada.

Etiologia (causa)


A principal via de propagação das bactérias ou fungos é a via hematógena, ou seja, transmitida pelo sangue, tendo origem em uma infecção prévia por otite, cistite, dermatite, etc e que migram para a região do disco.


A hipótese mais aceita é que as vértebras que sofrem instabilidade, tendem a receber uma neovascularização (formação de pequenos vasos), o que permite a chegada de microorganismos até o local.

As junções são os segmentos mais comuns de serem acometidas pela discoespondilite, sendo a região lombossacra a mais acometida entre elas.


Sinais clínicos (sintomas)


Os sinais clínicos começam gradualmente e progridem lentamente ao longo do tempo. Na maioria dos casos, o primeiro sinal é a dor local, rigidez e relutância em se locomover, podendo evoluir para sinais mais graves como paresia ou paralisia.

Diagnóstico


A discoespondilite é diagnosticada através das radiografias da coluna vertebral. Embora o próprio disco não possa ser visto nas radiografias, a discoespondilite causa alterações nas vértebras ósseas adjacentes ao disco afetado, essas alterações tendem a aparecer entre 2 a 4 semanas do início dos sinais clínicos.


O exame de tomografia computadorizada e ressonância magnética podem ser necessários para o diagnóstico. Outros exames também devem ser solicitados, tais como hemoculturas, uroculturas de urina e testes para brucelose. A leucocitose poderá estar presente no hemograma.


Tratamento


Essa doença é tratada com antibiótico ou antifúngico apropriado, dependendo do tipo de infecção. O tratamento geralmente é continuado por um período de 6 a 12 meses, com longos período de medicação, uma vez que a vascularização local é um desafio.


Parar a medicação muito cedo pode permitir que os sinais de discoespondilite reapareçam, mesmo em um cão que apresentava sinais de melhora.


Em muitos casos, o raio X é utilizado ​​para monitorar a resposta ao tratamento. As primeiras radiografias de monitoramento são normalmente feitas de 6 a 8 semanas após o início dos antibióticos.


É importante notar, entretanto, que as alterações nas radiografias podem demorar várias semanas, enquanto a melhora clínica pode ser mais rápida. As mudanças ósseas levam tempo para ocorrer e demoram para resolver; portanto, os sinais de melhora podem não ser óbvios no início do tratamento.


Se os cães não melhorarem com a medicação, a cirurgia pode ser recomendada. A cirurgia permite que a área seja totalmente explorada e lavada, permite a remoção de quaisquer materiais estranhos e pode ser usada para descomprimir o disco, aliviando a pressão na medula espinhal.


Além disso, a cirurgia permite a coleta de amostras para culturas, ajudando os veterinários a identificar adequadamente a fonte da infecção e os tratamentos com fármacos ideais.


Além desses tratamentos direcionados, o tratamento da discoespondilite geralmente inclui medicamentos para a dor e anti-inflamatórios.


Prognóstico


O prognóstico para cães afetados com discoespondilite depende da causa da infecção.


A discoespondilite bacteriana tem um bom prognóstico. A maioria dos casos se resolve com tratamento precoce, embora 6-12 meses de antibióticos possam ser necessários e recidivas possam ocorrer.


Apesar disso, no caso da discoespondilite fúngica, o prognóstico é reservado pois alguns cães não reagem as medicações. Entre os cães que respondem à medicação, muitos requerem tratamento em longo prazo para minimizar os sinais de infecção.


Caso você suspeite que seu cão possa ter discoespondilite, entre em contato conosco para uma avaliação.


Referências


1. Afify, Mamdouh. (2005). Treatment of 10 dogs with discospondylitis.


Sobre o autor

Felipe Garofallo é médico veterinário (CRMV/SP 39.972) e atua na área de ortopedia e cirurgia de cães e gatos em São Paulo e cidades da região. Realiza consultas em domicílio para tutores e serviço terceirizado para clínicas e hospitais veterinários. Você pode agendar uma consulta pelo whatsapp (11)91152-4321.

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