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"Rock back" na TPLO: O que é?
A expressão “rock back” na cirurgia de TPLO (osteotomia de nivelamento do platô tibial) é utilizada por muitos cirurgiões para descrever uma complicação radiográfica em que o ângulo do platô tibial, previamente corrigido no transoperatório, parece “voltar” ao valor próximo do original após algum tempo de pós-operatório. Ou seja, o platô retorna parcialmente à inclinação anterior à cirurgia, comprometendo o objetivo biomecânico do procedimento. Esse fenômeno preocupa porque pode gerar instabilidade residual, claudicação persistente e evolução precoce para osteoartrite, já que a principal finalidade da TPLO é justamente neutralizar a força de cisalhamento cranial causada pela inclinação excessiva do platô. A causa mais comum do rock back está relacionada à falha de estabilização da osteotomia. Isso pode ocorrer por afrouxamento de parafusos, quebra de implantes, deslizamento da placa ou mesmo por fraturas de segmentos ósseos que deveriam sustentar a nova posição do fragmento proximal da tíbia. Quando a fixação não é suficientemente rígida, o fragmento proximal pode sofrer micromovimentos durante o apoio do membro, o que favorece o retorno gradual à sua posição original. Em outros casos, a reabsorção óssea ao redor dos parafusos ou na linha de osteotomia também pode colaborar para essa perda de correção, assim como erros no planejamento ou na execução da rotação, em que o ângulo final não é mantido de forma adequada. Clinicamente, o rock back pode se manifestar de duas maneiras. Em alguns cães, observa-se claudicação recorrente, dor persistente e dificuldade em recuperar a função normal do membro, mesmo após o período esperado de cicatrização. Em outros, o achado pode ser apenas radiográfico, sem repercussão clínica significativa imediata, mas ainda assim com risco de acelerar a progressão da doença articular degenerativa. Por isso, o acompanhamento radiográfico pós-operatório é fundamental para identificar precocemente qualquer alteração no posicionamento do platô tibial e, quando necessário, intervir de forma adequada. A prevenção do rock back depende de um planejamento preciso e da execução técnica rigorosa da TPLO. É fundamental calcular corretamente a rotação necessária para alcançar o ângulo desejado (em torno de 5° a 7°), utilizar implantes de qualidade e garantir uma fixação estável e rígida da osteotomia, reduzindo a chance de micromovimentos. Além disso, a restrição controlada de atividade no pós-operatório imediato desempenha papel importante para proteger o sítio cirúrgico até a consolidação óssea. Em casos em que ocorre o rock back com repercussão clínica significativa, pode ser necessário um segundo procedimento cirúrgico para revisão da osteotomia e reposicionamento do fragmento tibial. Portanto, o rock back na TPLO, entendido como o retorno parcial do platô tibial ao seu ângulo original, representa uma complicação indesejada que compromete os resultados da cirurgia. Reconhecer esse fenômeno, entender suas causas e adotar medidas preventivas são passos fundamentais para o sucesso da técnica e para garantir uma recuperação funcional adequada aos cães submetidos a esse procedimento.
Referências bibliográficas Slocum, B., & Slocum, T. D. (1993). Tibial plateau leveling osteotomy for repair of cranial cruciate ligament rupture in the canine. Veterinary Clinics of North America: Small Animal Practice, 23(4), 777–795. Kowaleski, M. P., Boudrieau, R. J., & Pozzi, A. (2018). Handbook of Small Animal Orthopedics and Fracture Repair. 5th ed. Elsevier. Sobre o autor Felipe Garofallo é médico-veterinário (CRMV/SP 39.972) especializado em ortopedia e neurocirurgia de cães e gatos e proprietário da empresa Ortho for Pets: Ortopedia Veterinária e Especialidades. Para agendar uma consulta, entre em contato pelo whatsapp +55 11 97522-5102.

5 sinais de dor ortopédica em cães que você não deve ignorar
Como veterinários especializados em ortopedia veterinária, uma das queixas mais comuns que recebemos no consultório é: “Doutor, ele não está mais como antes, parece que sente dor”. Essa frase geralmente precede diagnósticos importantes e, muitas vezes, crônicos. A ortopedia veterinária tem um papel fundamental na qualidade de vida dos cães, especialmente porque muitos deles sofrem em silêncio. Identificar precocemente os sinais de dor ou disfunção ortopédica pode evitar agravamentos, cirurgias complexas e sofrimento prolongado. A seguir, explico com mais profundidade cinco sinais claros de que seu cão pode estar precisando de avaliação ortopédica.
1. Claudicação ou mancar de forma intermitente ou contínua
Esse é o sinal mais clássico — e mais ignorado. O tutor frequentemente relata que o cão está “manqueando um pouquinho”, mas como o quadro vai e volta, acaba sendo negligenciado. A claudicação pode ter inúmeras causas: desde rupturas ligamentares, como o ligamento cruzado cranial, até displasias coxofemorais, luxações de patela, doenças articulares degenerativas e fraturas.
Mesmo quando a claudicação é leve ou esporádica, ela indica dor, inflamação ou instabilidade. Um cão jamais manca “por costume” — se ele está evitando apoiar um membro ou alterando o padrão de marcha, é porque sente desconforto. 2. Dificuldade para se levantar, deitar ou subir em móveis
Cães com dor articular ou muscular sentem mais dificuldade para realizar movimentos que exigem força, estabilidade ou flexibilidade. Muitos tutores notam que o cão evita subir no sofá, descer escadas, ou demora mais para se levantar após longos períodos de descanso. Isso é especialmente comum em cães com artrose, displasias ou doenças de coluna, como a estenose lombossacral. Esses sinais podem surgir aos poucos e serem confundidos com “envelhecimento natural”, mas o envelhecer não deve ser sinônimo de dor.
3. Mudanças no comportamento ou isolamento social
A dor crônica, mesmo quando leve, altera o estado emocional dos cães. Muitos passam a evitar brincadeiras, ficam mais quietos, buscam isolamento ou demonstram irritação ao serem tocados em determinadas regiões do corpo.
Essas alterações comportamentais são formas indiretas de demonstrar que algo não está bem. Em cães mais sensíveis, é comum também haver tremores, inquietação noturna ou até perda de apetite. Tudo isso deve acender um alerta para causas ortopédicas — principalmente em raças predispostas.
4. Postura anormal ou curvatura do dorso
Alguns cães começam a caminhar com o dorso arqueado, a coluna rígida ou até “sentando torto”. Essas posturas compensatórias costumam estar associadas à dor nas articulações sacroilíacas, quadris, joelhos ou coluna vertebral. Também podem ser sinais de compressão nervosa em casos de hérnia de disco ou espondilopatia.
Observar a silhueta do cão de perfil pode ajudar a notar mudanças sutis, como a inclinação de um dos membros, rotação dos quadris, ou arqueamento lombar. Esses ajustes são respostas do corpo à dor — e raramente acontecem por acaso.
5. Diminuição de massa muscular em membros específicos A atrofia muscular localizada é um sinal tardio, mas bastante evidente de que há um problema ortopédico ou neurológico. O músculo se atrofia quando deixa de ser usado por dor, fraqueza ou comprometimento nervoso.
Se você nota que uma das patas traseiras está mais fina do que a outra, ou que o cão está perdendo força para saltar, correr ou apoiar, é hora de investigar com um ortopedista. Em muitos casos, essa perda muscular é reversível com tratamento adequado, incluindo fisioterapia e fortalecimento. Quando procurar um ortopedista veterinário
A ortopedia não é uma especialidade exclusiva para grandes cirurgias. Pelo contrário, a maior parte dos atendimentos é clínica: avaliação da marcha, testes ortopédicos, controle da dor e prescrição de condutas conservadoras. Quanto mais cedo o diagnóstico, melhores as chances de reabilitação com menor impacto físico, emocional e financeiro para o tutor e para o animal.
Se o seu cão apresenta um ou mais desses sinais, não espere agravar. Um exame clínico ortopédico especializado pode evitar complicações futuras, devolver a qualidade de vida do seu pet e trazer tranquilidade para toda a família.
Referências bibliográficas:
Johnston, S. A., & Tobias, K. M. (2017). Veterinary Surgery: Small Animal. Elsevier Health Sciences.
Fossum, T. W. (2018). Small Animal Surgery. Elsevier. Sobre o autor Felipe Garofallo é médico-veterinário (CRMV/SP 39.972) especializado em ortopedia e neurocirurgia de cães e gatos e proprietário da empresa Ortho for Pets: Ortopedia Veterinária e Especialidades. Para agendar uma consulta, entre em contato pelo whatsapp +55 11 97522-5102.

A anestesia e a cirurgia ortopédica em cães
A anestesia em cirurgias ortopédicas de cães requer um planejamento minucioso e individualizado, considerando não apenas a condição clínica do paciente, mas também o tipo e a duração do procedimento. As cirurgias ortopédicas, por envolverem manipulação óssea, geram dor intensa e prolongada, demandando protocolos anestésicos e analgésicos que garantam conforto, estabilidade fisiológica e recuperação segura. O sucesso da intervenção depende tanto da habilidade do cirurgião quanto da qualidade do manejo anestésico. Antes da anestesia, é fundamental realizar uma avaliação pré-operatória completa. Isso inclui anamnese detalhada, exame físico, exames laboratoriais (hemograma, perfil bioquímico, eletrólitos) e, quando necessário, avaliação cardiológica e radiografias torácicas. Animais geriátricos, com doenças concomitantes ou de raças braquicefálicas, exigem cuidados adicionais. Uma correta classificação do estado físico segundo a escala ASA (American Society of Anesthesiologists) ajuda a prever riscos e ajustar o protocolo anestésico. A anestesia balanceada é a abordagem mais recomendada em procedimentos ortopédicos. Consiste na combinação de diferentes fármacos que atuam em pontos distintos do sistema nervoso central e periférico, promovendo sedação, analgesia e relaxamento muscular com menor dose de cada droga isoladamente. Normalmente, inicia-se com uma pré-medicação, utilizando opioides (como morfina, metadona ou fentanil), sedativos (como acepromazina ou dexmedetomidina) e, em alguns casos, anti-inflamatórios não esteroidais. Essa etapa visa reduzir o estresse do animal, facilitar a indução e melhorar o controle da dor intra e pós-operatória. A indução anestésica costuma ser feita com agentes intravenosos como propofol, alfaxalona ou cetamina associada ao midazolam. Uma vez entubado, o animal é mantido sob anestesia inalatória (geralmente com isoflurano ou sevoflurano), com monitoramento contínuo de parâmetros vitais como frequência cardíaca, pressão arterial, capnografia, oxigenação e temperatura. A hipotermia é uma complicação frequente em ortopedia, devido à exposição prolongada, à imobilização e ao uso de superfícies frias; por isso, a normotermia deve ser mantida com dispositivos de aquecimento. A analgesia multimodal é essencial nesses procedimentos. Além dos opioides sistêmicos, pode-se empregar bloqueios locorregionais como o bloqueio do nervo ciático e femoral em cirurgias de membros posteriores, reduzindo a necessidade de anestésicos gerais e promovendo maior conforto no pós-operatório. A infiltração local com anestésicos como lidocaína ou bupivacaína no local da incisão também contribui para o alívio da dor. Durante a cirurgia ortopédica, o controle da hemorragia, a manutenção da estabilidade cardiovascular e a resposta adequada ao estímulo doloroso são aspectos críticos. A presença de um anestesista experiente ou profissional treinado em anestesia veterinária é desejável para manejar eventuais intercorrências e ajustar o plano anestésico em tempo real. No pós-operatório imediato, a monitorização continua sendo importante, especialmente em pacientes que receberam opioides potentes ou apresentaram instabilidade durante o procedimento. A analgesia deve ser mantida com AINEs, opioides e, em alguns casos, gabapentinoides. O uso de técnicas como infusão contínua de analgesia (CRI) com fentanil, lidocaína e cetamina também pode ser indicado para procedimentos mais invasivos ou em pacientes com dor intensa. Por fim, vale destacar que o manejo anestésico influencia diretamente na recuperação ortopédica do paciente. Um animal que acorda sem dor, tranquilo e com estabilidade hemodinâmica tende a retomar mais cedo a fisioterapia e a carga progressiva no membro operado, reduzindo o risco de complicações como atrofia muscular, contraturas ou frustração dos implantes. Referências bibliográficas: Campoy, L., & Read, M. R. (2013). Small Animal Regional Anesthesia and Analgesia. Wiley-Blackwell. Grimm, K. A., Lamont, L. A., Tranquilli, W. J., Greene, S. A., & Robertson, S. A. (2015). Veterinary Anesthesia and Analgesia: The Fifth Edition of Lumb and Jones. Wiley-Blackwell. Sobre o autor Felipe Garofallo é médico-veterinário (CRMV/SP 39.972) especializado em ortopedia e neurocirurgia de cães e gatos e proprietário da empresa Ortho for Pets: Ortopedia Veterinária e Especialidades. Para agendar uma consulta, entre em contato pelo whatsapp +55 11 97522-5102.

A evolução da displasia coxofemoral: Quando considerar a cirurgia?
A displasia coxofemoral é uma das principais condições ortopédicas que afetam cães, especialmente aqueles de raças grandes e gigantes. Esta condição caracteriza-se pelo desenvolvimento anormal da articulação do quadril, levando à incongruência entre a cabeça do fêmur e o acetábulo, o que resulta em instabilidade articular e desgaste prematuro da cartilagem. Ao longo do tempo, essa incongruência causa dor e limitações funcionais, evoluindo para um quadro de osteoartrite, comprometendo significativamente a qualidade de vida dos animais acometidos. A displasia coxofemoral tem uma base genética importante, sendo transmitida hereditariamente em várias raças, como o Pastor Alemão, o Labrador Retriever, o Golden Retriever e o Rottweiler. No entanto, fatores ambientais, como crescimento rápido, nutrição inadequada e sobrepeso, podem agravar o desenvolvimento da displasia, acelerando o aparecimento dos sintomas clínicos. Em filhotes, a articulação do quadril ainda está em formação, e, se há displasia, o acetábulo não se adapta corretamente à cabeça femoral, resultando em uma articulação instável e predisposta ao desgaste. Os sinais clínicos da displasia coxofemoral podem variar de acordo com a gravidade da condição e a idade do animal. Em casos leves, o cão pode apresentar desconforto esporádico e claudicação leve após exercício físico intenso. No entanto, em casos mais avançados, os cães podem demonstrar dor intensa, dificuldade para levantar-se, correr ou subir escadas, e podem evitar atividades que antes realizavam com facilidade. Com o avanço da osteoartrite, é comum observar atrofia muscular dos membros posteriores devido ao desuso, e os cães podem passar a adotar uma postura diferente para aliviar a dor. O diagnóstico precoce da displasia coxofemoral é essencial para a implementação de um plano de manejo adequado. O exame radiográfico é o principal método diagnóstico, sendo realizado frequentemente em cães jovens de raças predispostas. Radiografias sob sedação são recomendadas para garantir a precisão das imagens, permitindo a avaliação detalhada da articulação e o grau de incongruência. Existem também exames mais sofisticados, como a tomografia computadorizada, que podem fornecer uma visão tridimensional da articulação, sendo indicados em casos mais complexos. O tratamento da displasia coxofemoral depende de vários fatores, incluindo a idade do animal, o grau de displasia, o nível de dor e o impacto na qualidade de vida. Em casos leves a moderados, o manejo conservador pode ser eficaz. Isso inclui controle de peso, fisioterapia, uso de medicamentos anti-inflamatórios não esteroidais (AINEs) e condroprotetores, além de modificação da atividade física para evitar exercícios de alto impacto. A fisioterapia veterinária, com técnicas como hidroterapia e exercícios de fortalecimento muscular, tem se mostrado uma excelente aliada no manejo da displasia coxofemoral, ajudando a manter a mobilidade e a força muscular, além de reduzir a dor. No entanto, em casos mais avançados, ou quando o tratamento conservador não proporciona alívio adequado dos sintomas, a cirurgia torna-se uma opção necessária. Existem diferentes técnicas cirúrgicas disponíveis, que podem ser indicadas de acordo com a idade do cão e o grau de displasia. Em cães jovens, a sinfisiodese púbica e a osteotomia tripla pélvica podem ser indicadas, especialmente se o diagnóstico for feito precocemente. Essas cirurgias visam alterar o ângulo da articulação para promover um encaixe mais adequado entre o fêmur e o acetábulo, prevenindo o desenvolvimento da osteoartrite. Para cães adultos ou aqueles com displasia avançada, a substituição total do quadril, também conhecida como prótese de quadril, é uma opção eficaz. Essa cirurgia substitui a articulação displásica por uma prótese artificial, eliminando a dor e restaurando a função articular. Outra opção, mais paliativa, é a colocefalectomia, que remove a cabeça e o colo do fêmur, criando uma falsa articulação fibrosa. Embora essa técnica não restaure a função normal da articulação, ela pode proporcionar alívio significativo da dor em cães que não são candidatos a uma substituição total do quadril. É importante ressaltar que a decisão pela cirurgia deve ser tomada com base em uma avaliação criteriosa do veterinário especialista em ortopedia, levando em consideração o bem-estar do animal e a progressão da doença. A cirurgia, quando indicada, pode transformar a vida do animal, proporcionando-lhe anos de atividade e conforto. O acompanhamento pós-operatório adequado, com reabilitação fisioterápica e monitoramento clínico, é essencial para garantir os melhores resultados. Referências:
1. Tobias, K. M., & Johnston, S. A. (2013). Veterinary Surgery: Small Animal. Elsevier Health Sciences.
2. Fitzpatrick, N., & Solano, M. A. (2010). "Hip Dysplasia in Dogs: Pathophysiology, Diagnosis, and Surgical Treatment." Veterinary Clinics of North America: Small Animal Practice, 40(5), 1001-1022.
Sobre o autor Felipe Garofallo é médico-veterinário (CRMV/SP 39.972) especializado em ortopedia e neurocirurgia de cães e gatos e proprietário da empresa Ortho for Pets: Ortopedia Veterinária e Especialidades. Clique para agendar uma consulta presencial ou consultoria online ou envie um whatsapp para +55 11 97522-5102.

A evolução das técnicas cirúrgicas ortopédicas na medicina veterinária
A evolução das técnicas cirúrgicas ortopédicas na medicina veterinária tem sido notável nas últimas décadas, refletindo avanços tecnológicos e um entendimento mais profundo da anatomia e fisiologia dos animais. Com o objetivo de melhorar a qualidade de vida dos nossos pets, as técnicas cirúrgicas ortopédicas passaram por inovações que transformaram a abordagem e o tratamento de uma série de condições debilitantes, como displasia coxofemoral, luxação de patela, fraturas e rupturas de ligamento cruzado cranial. Antigamente, as opções cirúrgicas eram limitadas, e muitas vezes os procedimentos envolviam abordagens invasivas com longos períodos de recuperação. As técnicas eram mais rudimentares, e o sucesso dependia tanto da habilidade do cirurgião quanto da capacidade do animal em se recuperar de forma eficaz. Com o tempo, a medicina veterinária começou a adotar e adaptar técnicas da medicina humana, introduzindo procedimentos menos invasivos e mais precisos. A artroscopia, por exemplo, tornou-se uma técnica amplamente utilizada. Originalmente desenvolvida para uso em humanos, essa técnica minimamente invasiva permite que os cirurgiões veterinários examinem, diagnostiquem e tratem articulações danificadas com pequenas incisões. Isso não apenas reduz o tempo de recuperação, mas também diminui o risco de infecção e outras complicações associadas a cirurgias abertas. Outro avanço significativo foi o desenvolvimento de técnicas de osteossíntese, que envolvem o uso de placas, parafusos e hastes para estabilizar fraturas. Com materiais cada vez mais sofisticados, como ligas de titânio e biopolímeros, esses dispositivos são agora projetados para serem biocompatíveis, permitindo uma integração mais natural com o tecido ósseo e promovendo uma cicatrização mais rápida e eficaz. Além disso, as técnicas de fixação externa, que antes eram usadas de forma limitada, evoluíram para sistemas altamente eficientes, capazes de tratar fraturas complexas com menor trauma para o paciente. A evolução das técnicas cirúrgicas ortopédicas também inclui avanços em procedimentos corretivos, como a cirurgia de luxação de patela e a osteotomia de nivelamento do platô tibial (TPLO) para tratar rupturas de ligamento cruzado cranial. Esses procedimentos foram refinados ao longo dos anos, com uma maior compreensão das forças biomecânicas envolvidas, resultando em melhores resultados funcionais para os animais. Além dos aspectos técnicos, o desenvolvimento de protocolos anestésicos mais seguros e eficazes permitiu que as cirurgias ortopédicas fossem realizadas com maior confiança. Com o uso de anestesia balanceada e monitoramento avançado, os riscos durante e após a cirurgia foram significativamente reduzidos, proporcionando uma experiência mais segura tanto para o animal quanto para o veterinário. Esses avanços também se refletem na reabilitação pós-operatória. Hoje, a fisioterapia veterinária é uma parte integral do tratamento ortopédico, utilizando técnicas como hidroterapia, laserterapia e exercícios de fortalecimento para acelerar a recuperação e melhorar os resultados cirúrgicos. Esse enfoque multidisciplinar garante que os animais não apenas sobrevivam às cirurgias, mas recuperem a qualidade de vida com maior rapidez e menor dor. A medicina veterinária ortopédica continua a evoluir, com novas técnicas e tecnologias sendo introduzidas regularmente. Impressão 3D para modelagem de próteses, terapia com células-tronco para regeneração de tecidos, e avanços em biomateriais são apenas algumas das áreas que estão moldando o futuro da ortopedia veterinária. Essas inovações não só ampliam as possibilidades de tratamento, mas também oferecem esperança renovada para casos que antes eram considerados intratáveis. Se o seu pet sofre de algum problema ortopédico, é fundamental procurar uma clínica especializada que esteja atualizada com as mais recentes técnicas e inovações. Na Ortho for Pets, nossa equipe está comprometida em oferecer o que há de mais moderno e eficaz em tratamentos ortopédicos, sempre com foco no bem-estar e na recuperação completa dos nossos pacientes. Agende uma consulta conosco e descubra como podemos ajudar seu pet a viver com mais saúde e qualidade de vida. Referências bibliográficas SLATTER, D. **Textbook of Small Animal Surgery**. Philadelphia: Saunders, 2003. FOO, C. W. P.; DUNLOP, D. G. **Veterinary Orthopaedics**. London: Wiley-Blackwell, 2018. Sobre o autor Felipe Garofallo é médico-veterinário (CRMV/SP 39.972) especializado em ortopedia e neurocirurgia de cães e gatos e proprietário da empresa Ortho for Pets: Ortopedia Veterinária e Especialidades. Clique para agendar uma consulta presencial ou consultoria online ou envie um whatsapp para +55 11 97522-5102.

A importância da consulta prévia com o cirurgião do seu cão ou gato
A consulta com o cirurgião antes da cirurgia do seu cão ou gato desempenha um papel crucial no cuidado de saúde do seu animal de estimação. É um momento essencial onde você e o cirurgião podem discutir detalhes importantes sobre o procedimento planejado, bem como avaliar a condição de saúde do seu pet e esclarecer dúvidas ou preocupações que você possa ter. Antes de seguirmos com o conteúdo, você sabia que até 50% do sucesso do tratamento cirúrgico depende de uma boa orientação prévia e bons cuidados do pet pelo tutor em casa? Pensando nisso, criei o curso online a Jornada da Recuperação para orientar tutores no cuidado pré e pós-operatório de cães e gatos. Clique na imagem e conheça mais sobre o curso.
Caso prefira, você pode acessar diretamente o site em: https://jornadadarecuperacao.com/ Voltando ao nosso tópico, um dos aspectos mais importantes dessa consulta é a avaliação da condição do animal. O cirurgião veterinário realizará uma revisão completa do histórico médico do seu animal de estimação, incluindo qualquer condição médica pré-existente, alergias a medicamentos ou problemas de saúde recentes. Além disso, um exame físico minucioso será realizado para garantir que seu pet esteja em condições adequadas para passar pela cirurgia. Se necessário, exames complementares, como radiografias, ultrassonografias ou exames de sangue, podem ser solicitados para fornecer uma avaliação mais completa da saúde do animal. Durante a consulta, o cirurgião explicará detalhadamente o procedimento cirúrgico planejado. Isso inclui uma descrição dos objetivos da cirurgia, os passos envolvidos no procedimento e os resultados esperados. É importante que você entenda completamente o que será feito durante a cirurgia e por que ela é necessária para o bem-estar do seu animal de estimação. Qualquer dúvida ou preocupação que você tenha sobre o procedimento deve ser discutida abertamente com o cirurgião neste momento. Outro aspecto crucial da consulta é a discussão sobre os riscos e benefícios da cirurgia. O cirurgião fornecerá informações detalhadas sobre os possíveis riscos associados ao procedimento, como reações à anestesia, infecções, sangramento excessivo e complicações pós-operatórias. Ao mesmo tempo, os benefícios esperados da cirurgia serão destacados, como alívio da dor, melhora na qualidade de vida e resolução de problemas de saúde. É importante pesar cuidadosamente os riscos e benefícios da cirurgia para tomar uma decisão informada sobre o cuidado do seu animal de estimação. Durante a consulta, o cirurgião também explorará as opções de tratamento disponíveis para o problema de saúde do seu animal de estimação. Em alguns casos, pode haver mais de uma opção de tratamento viável, e o cirurgião ajudará você a entender as vantagens e desvantagens de cada uma. Essa discussão permitirá que você tome uma decisão informada sobre o melhor curso de ação para o seu animal de estimação, levando em consideração fatores como custo, eficácia e impacto na qualidade de vida. Além disso, a consulta com o cirurgião é uma oportunidade para se preparar adequadamente para a cirurgia do seu animal de estimação. O cirurgião fornecerá orientações específicas sobre como preparar seu pet para o procedimento, incluindo instruções sobre jejum prévio, interrupção de medicamentos específicos e outras precauções necessárias para garantir uma cirurgia segura e bem-sucedida. Seguir essas orientações cuidadosamente ajudará a minimizar os riscos e maximizar as chances de sucesso da cirurgia. A consulta com o cirurgião é uma oportunidade para estabelecer expectativas claras sobre o processo cirúrgico e o resultado esperado. O cirurgião explicará o que esperar antes, durante e após a cirurgia, incluindo o tempo de recuperação e os cuidados pós-operatórios necessários. Estabelecer expectativas realistas desde o início ajudará a evitar surpresas desagradáveis e garantirá que você esteja preparado para cuidar adequadamente do seu animal de estimação durante o período de recuperação. Em resumo, a consulta com o cirurgião antes da cirurgia do seu cão ou gato é uma etapa essencial no processo de cuidados veterinários. É um momento onde você e o cirurgião podem trabalhar juntos para garantir a saúde e o bem-estar do seu animal de estimação, discutindo detalhes importantes sobre o procedimento, avaliando a condição de saúde do animal, explorando opções de tratamento e estabelecendo expectativas claras para o processo cirúrgico e de recuperação. Ao tomar o tempo para se informar e se preparar adequadamente, você estará dando ao seu animal de estimação a melhor chance possível de uma cirurgia segura e bem-sucedida. Sobre o autor Felipe Garofallo é médico-veterinário (CRMV/SP 39.972) especializado em ortopedia e neurocirurgia de cães e gatos e proprietário da empresa Ortho for Pets: Ortopedia Veterinária e Especialidades. Clique para agendar uma consulta presencial ou consultoria online ou envie um whatsapp para +55 11 97522-5102.

A importância do acompanhamento veterinário para cães com hérnia de disco
O acompanhamento veterinário para cães com hérnia de disco é fundamental para garantir o bem-estar e a qualidade de vida desses animais. A hérnia de disco é uma condição dolorosa e debilitante que ocorre quando o material gelatinoso entre as vértebras da coluna espinhal, conhecido como disco intervertebral, se desloca ou se rompe, pressionando a medula espinhal. Essa compressão pode causar dor intensa, perda de mobilidade e, em casos graves, paralisia. O diagnóstico precoce e o manejo adequado são essenciais para prevenir a progressão da doença e melhorar o prognóstico do paciente. O acompanhamento veterinário permite uma avaliação contínua da condição do cão, possibilitando ajustes no tratamento conforme necessário. Em muitos casos, o tratamento conservador, que inclui repouso, medicamentos para dor e inflamação, e fisioterapia, pode ser suficiente para aliviar os sintomas e permitir a recuperação. No entanto, em situações mais graves, pode ser necessária a intervenção cirúrgica para descomprimir a medula espinhal e prevenir danos permanentes. A importância do acompanhamento regular se dá pelo fato de que a hérnia de disco pode ser uma condição crônica, com possibilidade de recorrência. Mesmo após o tratamento inicial, é crucial monitorar o cão para detectar quaisquer sinais de retorno da doença. Além disso, o acompanhamento ajuda a identificar e manejar possíveis complicações que podem surgir, como infecções ou problemas relacionados ao uso prolongado de medicamentos. Outro aspecto importante do acompanhamento veterinário é o suporte ao tutor do animal. Cuidar de um cão com hérnia de disco pode ser desafiador, e o veterinário pode fornecer orientações valiosas sobre como adaptar o ambiente doméstico, como auxiliar o cão nas atividades diárias e quais exercícios podem ajudar na recuperação. A educação e o apoio ao tutor são componentes essenciais para o sucesso do tratamento a longo prazo. Adicionalmente, o acompanhamento veterinário inclui a avaliação da resposta ao tratamento e a adaptação do plano terapêutico conforme o cão responde. Cada paciente é único, e o que funciona para um pode não ser adequado para outro. O veterinário pode ajustar a dosagem de medicamentos, recomendar diferentes tipos de fisioterapia ou considerar outras opções de tratamento, como a acupuntura ou a terapia com laser, conforme necessário. Em resumo, o acompanhamento veterinário para cães com hérnia de disco é vital para garantir um manejo eficaz da condição, melhorar a qualidade de vida do animal e fornecer o suporte necessário para o tutor. Sem esse acompanhamento, há um risco aumentado de complicações, recorrência da doença e deterioração da saúde do cão, o que reforça a importância de uma abordagem cuidadosa e contínua. Referências bibliográficas Fossum, T. W. (2013). Small Animal Surgery. 4th ed. Elsevier Mosby. Jeffery, N. D., & Levine, J. M. (2020). Intervertebral Disk Disease in Dogs and Cats. Veterinary Clinics of North America: Small Animal Practice, 50(2), 429-445. Sobre o autor Felipe Garofallo é médico-veterinário (CRMV/SP 39.972) especializado em ortopedia e neurocirurgia de cães e gatos e proprietário da empresa Ortho for Pets: Ortopedia Veterinária e Especialidades. Clique para agendar uma consulta presencial ou consultoria online ou envie um whatsapp para +55 11 97522-5102.

A importância do controle de peso para cães com displasia coxofemoral
A displasia coxofemoral é uma condição comum em cães, especialmente em raças de grande porte, caracterizada pelo desenvolvimento anormal da articulação do quadril. Esse problema ortopédico pode levar a dor crônica, perda de mobilidade e, em casos mais graves, à incapacidade de andar adequadamente. Um dos fatores mais importantes no manejo dessa doença é o controle rigoroso do peso corporal do animal. Manter o peso adequado pode não apenas retardar a progressão da displasia, mas também melhorar significativamente a qualidade de vida do cão. Quando um cão com displasia coxofemoral está acima do peso, o excesso de carga sobre as articulações já comprometidas piora a condição. A pressão extra agrava a inflamação e acelera o desgaste da cartilagem, o que pode resultar em artrose precoce. Portanto, o primeiro passo para ajudar um cão com displasia é garantir que ele mantenha um peso saudável. A perda de peso em cães obesos reduz o estresse sobre as articulações, o que diminui a dor e a inflamação associadas à condição. Além disso, o controle de peso ajuda a prevenir a sobrecarga de outras articulações, como os joelhos e cotovelos, que podem acabar compensando a fraqueza dos quadris. Para garantir um controle de peso eficaz, é essencial que os tutores colaborem com o veterinário na criação de um plano nutricional específico. A dieta deve ser balanceada e rica em nutrientes que favoreçam a saúde das articulações, como ácidos graxos ômega-3, condroitina e glucosamina. Também é importante monitorar as quantidades de alimento e evitar guloseimas que possam contribuir para o ganho de peso indesejado. Em alguns casos, o veterinário pode recomendar alimentos especialmente formulados para cães com displasia coxofemoral ou com tendência à obesidade. Outro fator relevante é o exercício físico. Embora os cães com displasia coxofemoral precisem se exercitar para manter a musculatura ao redor das articulações forte e saudável, é crucial que esses exercícios sejam de baixo impacto. Caminhadas curtas e controladas, natação e fisioterapia são opções que ajudam a manter o cão ativo sem piorar o desgaste nas articulações. O exercício regular também é importante para evitar o ganho de peso, mas sempre deve ser supervisionado por um veterinário ou fisioterapeuta veterinário especializado. Além da dieta e do exercício, existem tratamentos complementares que podem ajudar a controlar os sintomas da displasia, como o uso de medicamentos anti-inflamatórios e analgésicos, bem como terapias alternativas, como a acupuntura. No entanto, sem o controle adequado do peso, esses tratamentos podem ter eficácia limitada, uma vez que o excesso de peso continuará a sobrecarregar as articulações. Em resumo, o controle de peso é uma das estratégias mais eficazes para o manejo da displasia coxofemoral em cães. Ele não apenas reduz a progressão da doença e melhora a mobilidade, mas também aumenta o bem-estar geral do animal. Um cão com peso adequado terá menos dor, mais facilidade para se movimentar e uma maior qualidade de vida, permitindo que ele desfrute de uma vida mais ativa e feliz. Portanto, é fundamental que os tutores estejam comprometidos em manter o peso de seus cães sob controle, especialmente quando lidam com uma condição crônica como a displasia coxofemoral. Referências:
- Johnston, S.A., & Tobias, K.M. Veterinary Surgery: Small Animal. 2nd ed. Saunders Elsevier, 2018.
- Kealy, R.D., Lawler, D.F., Ballam, J.M., et al. "Effects of Diet Restriction on Life Span and Age-Related Changes in Dogs." Journal of the American Veterinary Medical Association, vol. 220, no. 9, 2002, pp. 1315-1320. Sobre o autor Felipe Garofallo é médico-veterinário (CRMV/SP 39.972) especializado em ortopedia e neurocirurgia de cães e gatos e proprietário da empresa Ortho for Pets: Ortopedia Veterinária e Especialidades. Clique para agendar uma consulta presencial ou consultoria online ou envie um whatsapp para +55 11 97522-5102.

A importância do diagnóstico precoce da displasia coxofemoral
A displasia coxofemoral é uma enfermidade ortopédica de caráter progressivo, multifatorial e altamente prevalente em cães, especialmente nas raças de médio e grande porte. Trata-se de uma alteração no desenvolvimento da articulação do quadril, que resulta em incongruência entre a cabeça do fêmur e o acetábulo, levando à instabilidade articular e, com o passar do tempo, ao desenvolvimento de osteoartrose. Nesse contexto, o diagnóstico precoce desempenha um papel fundamental, pois influencia diretamente o prognóstico, as opções terapêuticas disponíveis e a qualidade de vida do animal ao longo dos anos. Quando identificada precocemente, ainda na fase jovem, a displasia coxofemoral pode ser manejada de forma muito mais eficiente. Nessa fase, antes do estabelecimento de alterações degenerativas irreversíveis, o foco do tratamento é atuar sobre a biomecânica articular, reduzir a instabilidade e modular a progressão da doença. Medidas como controle de peso, manejo nutricional adequado, programas específicos de fortalecimento muscular e, em casos selecionados, intervenções cirúrgicas preventivas, têm potencial de modificar de maneira significativa a evolução clínica do paciente. A ausência do diagnóstico precoce, por outro lado, permite que a instabilidade articular persista por meses ou anos, promovendo desgaste progressivo da cartilagem, inflamação crônica e remodelação óssea. Quando o cão passa a manifestar sinais clínicos evidentes, como dor intensa, dificuldade para levantar, claudicação ou intolerância ao exercício, a articulação geralmente já apresenta alterações degenerativas avançadas. Nessa fase, as opções terapêuticas tornam-se mais limitadas e, muitas vezes, mais complexas, exigindo tratamentos de longo prazo ou cirurgias mais invasivas. Outro aspecto relevante do diagnóstico precoce é a possibilidade de individualizar o acompanhamento do paciente ao longo do crescimento. A displasia coxofemoral não se manifesta de forma igual em todos os cães, mesmo dentro da mesma raça. Identificar precocemente a presença de frouxidão articular ou incongruência permite ao médico-veterinário orientar o tutor quanto às atividades físicas mais adequadas, evitar exercícios de alto impacto em momentos críticos do desenvolvimento e ajustar o manejo ambiental para reduzir sobrecargas articulares desnecessárias. Do ponto de vista do bem-estar animal, o diagnóstico precoce também está diretamente relacionado à prevenção da dor crônica. A dor associada à displasia coxofemoral nem sempre é evidente no início, mas tende a se intensificar com a progressão da osteoartrose. Ao intervir antes que esse processo esteja estabelecido, é possível minimizar o sofrimento do animal, preservar sua mobilidade e manter uma rotina mais ativa e confortável ao longo da vida adulta e senil. Além disso, o diagnóstico precoce tem impacto importante na relação entre tutor e paciente. Muitos tutores interpretam sinais iniciais, como menor disposição para brincadeiras, dificuldade sutil para subir escadas ou rigidez ao acordar, como “preguiça” ou características individuais do cão. A identificação correta da displasia em fases iniciais ajuda a esclarecer essas alterações, promovendo maior adesão ao tratamento e evitando frustrações futuras diante da progressão da doença. Portanto, a importância do diagnóstico precoce da displasia coxofemoral vai muito além da simples confirmação da doença. Ele representa a oportunidade de intervir no momento certo, com estratégias mais eficazes, menos invasivas e com maior impacto positivo na qualidade de vida do cão.
A combinação entre avaliação clínica criteriosa, conhecimento das raças predispostas e exames de imagem adequadamente indicados é essencial para que essa condição não seja identificada apenas quando os danos articulares já estão avançados. Referências bibliográficas:
Johnston, S. A., Tobias, K. M. Veterinary Surgery: Small Animal. 2nd ed. Elsevier, 2018.
Smith, G. K., et al. Evaluation of risk factors for degenerative joint disease associated with hip dysplasia in dogs. Journal of the American Veterinary Medical Association, 2001. Sobre o autor Felipe Garofallo é médico-veterinário (CRMV/SP 39.972) especializado em ortopedia e neurocirurgia de cães e gatos e proprietário da empresa Ortho for Pets: Ortopedia Veterinária e Especialidades. Para agendar uma consulta, entre em contato pelo whatsapp +55 11 97522-5102.

A importância do diagnóstico precoce da hérnia de disco em cães
O diagnóstico precoce da hérnia de disco em cães é fundamental para garantir um tratamento eficaz e uma melhor qualidade de vida para o animal. A hérnia de disco, também conhecida como doença do disco intervertebral, é uma condição neurológica comum, especialmente em raças predispostas, como o Dachshund, Beagle, e Shih Tzu.
Esta doença ocorre quando o disco intervertebral, que funciona como um amortecedor entre as vértebras da coluna, se desloca ou se rompe, pressionando a medula espinhal e causando dor, inflamação e, em casos mais graves, perda de função motora. Identificar os sinais iniciais da hérnia de disco é crucial, pois quanto mais cedo a condição for diagnosticada, maiores são as chances de um tratamento bem-sucedido e menos invasivo. Os primeiros sintomas podem incluir relutância em pular ou subir escadas, dificuldade para caminhar, dor ao toque na coluna, e uma postura arqueada. À medida que a doença progride, os sintomas podem se intensificar, levando à perda de coordenação motora (ataxia), paralisia parcial ou total dos membros, e, em casos severos, perda de controle da bexiga e do intestino. Infelizmente, muitos desses sinais podem ser confundidos com outras condições, o que torna o diagnóstico precoce ainda mais desafiador e essencial. Quando o diagnóstico é feito nas fases iniciais, o tratamento conservador, como repouso estrito, administração de anti-inflamatórios, e fisioterapia, pode ser suficiente para aliviar os sintomas e prevenir o agravamento da condição. Em muitos casos, um diagnóstico precoce pode evitar a necessidade de cirurgia, que, embora seja eficaz, envolve riscos e um longo período de recuperação. Além disso, o tratamento precoce minimiza a dor e o desconforto para o animal, promovendo uma recuperação mais rápida e uma melhor qualidade de vida. Em casos onde a cirurgia é necessária, o diagnóstico precoce permite um planejamento cirúrgico mais eficaz, com melhores taxas de sucesso. Procedimentos como a hemilaminectomia, que visa remover a pressão sobre a medula espinhal, têm maior probabilidade de restaurar a função normal do animal quando realizados antes que danos permanentes ocorram. Além disso, o diagnóstico precoce possibilita uma intervenção cirúrgica antes que a condição evolua para um estágio mais grave, onde as chances de recuperação total podem ser significativamente reduzidas. Outro aspecto crucial do diagnóstico precoce é a capacidade de diferenciar a hérnia de disco de outras condições neurológicas ou ortopédicas que podem apresentar sintomas semelhantes. Exames de imagem, como a radiografia, tomografia computadorizada (TC), e a ressonância magnética (RM), são ferramentas valiosas que auxiliam na confirmação do diagnóstico e na determinação da localização exata e da gravidade da hérnia. A ressonância magnética, em particular, é considerada o padrão-ouro para o diagnóstico preciso da hérnia de disco, pois oferece uma visualização detalhada da medula espinhal e dos tecidos moles ao redor. Por fim, o diagnóstico precoce também tem implicações emocionais e financeiras para os tutores. Identificar e tratar a hérnia de disco nos estágios iniciais pode reduzir significativamente os custos associados ao tratamento, evitando procedimentos mais complexos e longos períodos de recuperação. Além disso, os tutores podem evitar o sofrimento de ver seus animais de estimação passando por dor intensa ou limitações físicas severas, promovendo uma relação mais positiva e saudável entre o cão e sua família. Em resumo, o diagnóstico precoce da hérnia de disco em cães é vital para o sucesso do tratamento e para a prevenção de complicações graves. Ele permite uma abordagem terapêutica menos invasiva, aumenta as chances de recuperação total, e melhora a qualidade de vida dos cães afetados. Portanto, os tutores devem estar atentos aos primeiros sinais de desconforto ou dificuldades de locomoção em seus animais de estimação e procurar assistência veterinária imediata para garantir o melhor prognóstico possível. Referências bibliográficas 1. Jeffery, N. D., Barker, A. K., Hu, H. Z., Alcott, C. J., & Kraus, K. H. (2013). Differentiating Acute Intervertebral Disc Extrusion from Acute Noncompressive Nucleus Pulposus Extrusion in Dogs. *Journal of Veterinary Internal Medicine*, 27(6), 1371-1376. 2. Brisson, B. A. (2010). Intervertebral Disc Disease in Dogs. *Veterinary Clinics of North America: Small Animal Practice*, 40(5), 829-858. Sobre o autor Felipe Garofallo é médico-veterinário (CRMV/SP 39.972) especializado em ortopedia e neurocirurgia de cães e gatos e proprietário da empresa Ortho for Pets: Ortopedia Veterinária e Especialidades. Clique para agendar uma consulta presencial ou consultoria online ou envie um whatsapp para +55 11 97522-5102.

A importância do raio-x para o diagnóstico ortopédico em cães e gatos
O raio-x é uma ferramenta indispensável no diagnóstico ortopédico de cães e gatos, permitindo uma avaliação precisa e detalhada do sistema musculoesquelético desses animais. Essa tecnologia de imagem é amplamente utilizada na medicina veterinária devido à sua capacidade de detectar alterações ósseas, articulares e, em alguns casos, de tecidos moles, facilitando o diagnóstico precoce e o manejo adequado de condições ortopédicas diversas. A principal aplicação do raio-x em ortopedia é na identificação de fraturas, luxações e deformidades ósseas. Por exemplo, em casos de traumas, como atropelamentos ou quedas, o raio-x permite ao veterinário visualizar o tipo, a localização e a extensão da fratura, elementos essenciais para planejar o tratamento, que pode variar entre imobilização, fixação externa ou cirurgia ortopédica. Além disso, a radiografia auxilia na avaliação da consolidação óssea durante o acompanhamento pós-operatório. Outras condições ortopédicas comuns, como displasia coxofemoral, luxação patelar e ruptura do ligamento cruzado cranial, também se beneficiam do uso de raio-x. Na displasia coxofemoral, por exemplo, a radiografia é fundamental para avaliar o grau de incongruência articular e as alterações degenerativas associadas. Esse exame é essencial tanto para o diagnóstico quanto para o monitoramento da progressão da doença e planejamento de intervenções cirúrgicas, como osteotomias ou próteses de quadril. O raio-x também é crucial na detecção de doenças degenerativas e inflamatórias, como a osteoartrite, permitindo identificar alterações como osteófitos, esclerose óssea subcondral e estreitamento do espaço articular. Em casos de tumores ósseos, a radiografia é frequentemente o primeiro exame realizado, possibilitando a identificação de lesões suspeitas e orientando a necessidade de exames complementares, como tomografia computadorizada ou biópsias. Além das condições já mencionadas, o raio-x desempenha um papel importante no diagnóstico de doenças congênitas e hereditárias. Anomalias como luxações congênitas de articulações, crescimento desordenado ou malformações ósseas podem ser detectadas precocemente, permitindo uma abordagem terapêutica mais eficaz. A interpretação adequada dos raios-x exige conhecimento técnico e experiência do veterinário, bem como equipamentos de qualidade que produzam imagens nítidas e com boa resolução. O uso de técnicas específicas, como projeções ortogonais e contraste, pode aumentar significativamente a precisão diagnóstica, especialmente em áreas de difícil visualização. Por fim, é importante destacar que, embora o raio-x seja uma ferramenta valiosa, ele tem limitações, como a dificuldade de visualizar detalhes de tecidos moles e estruturas complexas. Por isso, pode ser necessário complementar o diagnóstico com outros métodos, como ultrassonografia, tomografia computadorizada ou ressonância magnética, dependendo do caso. O uso do raio-x no diagnóstico ortopédico representa uma das bases da medicina veterinária moderna, sendo essencial para garantir a saúde e o bem-estar de cães e gatos. Sua aplicação correta contribui não apenas para o diagnóstico preciso, mas também para o planejamento de tratamentos eficazes, melhorando significativamente o prognóstico dos pacientes. Referências bibliográficas
1. Morgan, J. P., & Voss, K. (2010). *Diagnostic imaging of musculoskeletal diseases in small animals*. Veterinary Clinics of North America: Small Animal Practice, 40(4), 655-678.
2. Thrall, D. E., & Robertson, I. D. (2015). *Atlas of normal radiographic anatomy and anatomic variants in the dog and cat*. Elsevier. Sobre o autor Felipe Garofallo é médico-veterinário (CRMV/SP 39.972) especializado em ortopedia e neurocirurgia de cães e gatos e proprietário da empresa Ortho for Pets: Ortopedia Veterinária e Especialidades. Para agendar uma consulta, entre em contato pelo whatsapp +55 11 97522-5102.

A importância do repouso na recuperação de cirurgias ortopédicas
O repouso é um componente fundamental no processo de recuperação de cirurgias ortopédicas, especialmente em animais de estimação. Após a realização de procedimentos cirúrgicos, o corpo precisa de tempo e condições ideais para se curar e recuperar as funções normais. O repouso adequado, aliado a outros cuidados pós-operatórios, desempenha um papel crucial na promoção da cicatrização dos tecidos, prevenção de complicações e garantia de uma recuperação completa. Durante uma cirurgia ortopédica, tecidos como ossos, músculos, tendões e ligamentos são manipulados e, muitas vezes, reparados ou realinhados. Esse processo cria feridas cirúrgicas que precisam de tempo para cicatrizar adequadamente. Antes de seguirmos com o conteúdo, você sabia que até 50% do sucesso do tratamento cirúrgico depende de uma boa orientação prévia e bons cuidados do pet pelo tutor em casa? Pensando nisso, criei o curso online a Jornada da Recuperação para orientar tutores no cuidado pré e pós-operatório de cães e gatos. Clique na imagem e conheça mais sobre o curso.
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Sobre o autor Felipe Garofallo é médico-veterinário (CRMV/SP 39.972) especializado em ortopedia e neurocirurgia de cães e gatos e proprietário da empresa Ortho for Pets: Ortopedia Veterinária e Especialidades. Clique para agendar uma consulta presencial ou consultoria online ou envie um whatsapp para +55 11 97522-5102.