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Quando o raio-x é indicado para investigar displasia coxofemoral?

A indicação do raio-x para investigar displasia coxofemoral em cães está diretamente ligada ao momento em que a doença começa a impactar a biomecânica da articulação do quadril e à necessidade de confirmar, de forma objetiva, alterações que muitas vezes não são plenamente detectáveis apenas no exame clínico.



A displasia coxofemoral é uma enfermidade ortopédica de desenvolvimento, multifatorial, caracterizada por incongruência entre a cabeça do fêmur e o acetábulo, levando à instabilidade articular, inflamação crônica e, com o tempo, à osteoartrite progressiva.


Justamente por ter evolução gradual e variável, o raio-x se torna uma ferramenta fundamental tanto para o diagnóstico quanto para o planejamento terapêutico.


O exame radiográfico passa a ser indicado sempre que existe suspeita clínica de displasia coxofemoral, mesmo que os sinais sejam discretos.


Em cães jovens, principalmente de raças médias, grandes e gigantes, o raio-x é recomendado quando há histórico de claudicação intermitente dos membros posteriores, dificuldade para levantar, relutância em correr, saltar ou subir escadas, além de dor à manipulação do quadril ou diminuição da massa muscular dos posteriores.


Nessa fase inicial, muitos tutores interpretam esses sinais como “falta de jeito”, preguiça ou crescimento rápido, mas o exame de imagem permite identificar frouxidão articular, subluxação e alterações precoces que ainda não geraram osteoartrite evidente.


Mesmo na ausência de dor evidente, o raio-x pode ser indicado como exame preventivo. Cães jovens, geralmente a partir dos quatro a seis meses de idade, pertencentes a raças com alta predisposição genética, podem se beneficiar da avaliação radiográfica precoce.


Essa abordagem é especialmente importante quando o objetivo é o diagnóstico antecipado para adoção de medidas conservadoras, como controle de peso, ajustes de exercício, fisioterapia e suplementação, ou até para considerar cirurgias preventivas em casos selecionados. Quanto mais cedo a displasia é identificada, maior a chance de retardar ou minimizar a progressão da doença articular degenerativa.


Em cães adultos, o raio-x é indicado quando surgem sinais compatíveis com dor crônica de quadril, intolerância ao exercício, rigidez ao acordar ou piora progressiva da mobilidade. Nesses casos, muitas vezes a displasia já evoluiu para osteoartrite coxofemoral, e o exame radiográfico permite avaliar o grau de degeneração articular, a presença de osteófitos, esclerose acetabular e remodelação da cabeça femoral.


Essas informações são essenciais para definir o melhor tratamento, que pode variar desde manejo clínico até procedimentos cirúrgicos como colocefalectomia ou prótese total de quadril.


O raio-x também é indispensável quando há necessidade de diferenciar a displasia coxofemoral de outras doenças ortopédicas ou neurológicas que afetam os membros posteriores, como lesões de ligamento cruzado cranial, doenças da coluna lombossacra ou patologias musculares.


A sobreposição de sinais clínicos é comum, e a imagem ajuda a direcionar o diagnóstico correto, evitando tratamentos inadequados ou atrasos terapêuticos.


Para que o exame radiográfico seja realmente confiável, é fundamental que ele seja realizado com técnica adequada, geralmente com o animal sob sedação ou anestesia leve, garantindo posicionamento correto e relaxamento muscular.


Radiografias mal posicionadas podem subestimar ou superestimar a gravidade da displasia, levando a interpretações equivocadas.


Por isso, o raio-x para investigação de displasia coxofemoral deve sempre ser solicitado e interpretado por um médico-veterinário, preferencialmente com experiência em ortopedia.


A investigação radiográfica precoce permite diagnóstico antecipado, melhor prognóstico e decisões terapêuticas mais assertivas, impactando diretamente na qualidade de vida do animal ao longo dos anos.


A displasia coxofemoral não é apenas uma doença do cão idoso, e o raio-x tem papel central na identificação da condição em todas as fases da vida.


Referências bibliográficas


KIRKBY, K. A.; LEWIS, D. D. Canine hip dysplasia: reviewing the evidence for nonsurgical management. Veterinary Surgery, v. 41, n. 1, p. 2–9, 2012.


DENNY, H. R.; BUTTERWORTH, S. J. A guide to canine and feline orthopaedic surgery. 4. ed. Oxford: Blackwell Science, 2000.


Sobre o autor


Dr. Felipe Garofallo, veterinário ortopedista, especializado no diagnóstico e tratamento de problemas articulares e musculoesqueléticos em cães

Felipe Garofallo é médico-veterinário (CRMV/SP 39.972) especializado em ortopedia e neurocirurgia de cães e gatos e proprietário da empresa Ortho for Pets: Ortopedia Veterinária e Especialidades.


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