Mielopatia Degenerativa em Cães

Atualizado: Abr 11


O que é a mielopatia degenerativa canina?


A mielopatia degenerativa canina (MD) é caracterizada por uma paralisia progressiva não dolorosa dos membros posteriores em cães mais velhos. A mielopatia degenerativa era anteriormente conhecida como radiculomielopatia degenerativa crônica (RMDC), sendo uma doença degenerativa progressiva da medula espinhal. Em última análise, é uma doença com prognóstico ruim.


Qual a causa da mielopatia degenerativa dos cães?


A mielopatia degenerativa está associada a uma anomalia genética. A forma mais comum se deve a uma mutação genética em um gene que codifica a superóxido dismutase, uma proteína responsável pela destruição dos radicais livres no corpo. Os radicais livres fazem parte do mecanismo de defesa natural, mas tornam-se prejudiciais quando são produzidos em quantidades excessivas, causando a morte celular e uma variedade de doenças degenerativas. A mesma mutação genética também pode causar uma forma de doença do neurônio motor em humanos.


Testes genéticos estão disponíveis em laboratórios e diretrizes de criação para identificar cães em risco de mielopatia degenerativa. Os resultados dos testes identificam cães que estão "limpos", ou seja, o cão que é extremamente improvável de desenvolver MD; aqueles que são 'portadores' e têm menos probabilidade de desenvolver a doença e aqueles que estão 'sob risco ' de desenvolver MD. É importante compreender que este teste genético não confirma a doença, porém sua predisposição. Além disso, alguns cães que podem estar destinados a desenvolver a doença não o fazem durante a vida e morrem antes de desenvolver mielopatia degenerativa.


Quais as raças que são mais afetadas pela mielopatia degenerativa?


Anteriormente, era considerada uma doença de pastores alemães, no entanto, nos últimos anos, a doença foi identificada em muitas outras raças e não é mais considerada um problema de “raça grande”.


A mielopatia degenerativa é uma preocupação particular em Boxers, Pembroke e Cardigan Welsh Corgis, Bernese Mountain Dogs, Borzoi, Cavalier King Charles Spaniels, Golden Retriever, Great Pyrenean Mountain Dog, Poodle, Pug, Rhodesian Ridgeback, Pastor de Shetland.


Como a doença se desenvolve após a idade de reprodução recomendada, os criadores de raças predispostas devem praticar a criação responsável por triagem genética antes do acasalamento para reduzir a prevalência do gene e da mielopatia degenerativa.


Mais informações sobre o teste de DNA para mielopatia degenerativa estão disponíveis na Orthopaedic Foundation for Animals (OFA).


Quais os sinais clínicos (sintomas) de mielopatia degenerativa?


A mielopatia degenerativa geralmente afeta cães com mais de 5 anos de idade e geralmente com mais de 8 anos de idade. Seu cão pode começar a apresentar sinais clínicos iniciais, como fraqueza sutil e indolor em um membro posterior. Isso pode ser mal interpretado como uma doença ortopédica crônica, por exemplo, no quadril ou joelho.


Os sinais clínicos podem ser leves e o início insidioso, no entanto, os sinais progridem ao longo dos meses, levando a uma ataxia, isto é, andar de 'bêbado' nos membros posteriores e fraqueza. Seu cão também pode arrastar as patas, cruzar os membros traseiros ao caminhar e cair.


Sinais clínicos semelhantes também podem ser vistos em outras doenças neurológicas ou da medula espinal, portanto, é importante que seu cão faça um exame completo com um profissional especializado.


Quais são as consequências a longo prazo da mielopatia degenerativa?


Infelizmente, a mielopatia degenerativa progride para paralisia, ou seja, uma incapacidade do cão de andar e sustentar o próprio peso corporal. A progressão da doença resulta em mais fraqueza, atrofia muscular e finalmente incontinência fecal e urinária. A doença pode progredir ao longo da medula espinhal para, eventualmente, afetar os membros anteriores.


Como diagnosticar a mielopatia degenerativa em cães?


O diagnóstico suspeito de mielopatia degenerativa é baseado em sinais clínicos, raça e idade e é apoiado pela ausência de outras doenças clínicas. A mielopatia degenerativa é um diagnóstico de exclusão, o que significa que outras doenças com sinais clínicos semelhantes devem ser excluídas primeiro pelo neurologista.


Uma amostra de sangue pode ser coletada para descartar as causas metabólicas da disfunção da medula espinal, por exemplo, deficiência de cobalamina e também para testes genéticos para a mutação genética associada à mielopatia degenerativa.


É provável que o exame de imagem avançado seja recomendado, e uma ressonância magnética da medula espinal deve ser realizada. Uma amostra de líquido cefalorraquidiano (LCR), que circunda a medula espinal, também pode ser obtido para permitir a análise e exclusão de outras doenças.


Cães mais velhos podem ser afetados por mais de uma doença, por exemplo, doença do disco intervertebral (DDIV), portanto, a presença de outras doenças não exclui a presença de mielopatia degenerativa e vice-versa.


Quais as opções de tratamento para a mielopatia degenerativa?


Infelizmente, a mielopatia degenerativa é uma doença irreversível e progressiva. O prognóstico é ruim, pois nenhum tratamento específico está disponível, embora muitos cães possam ser mantidos e manter uma qualidade de vida aceitável por meses a anos.


A progressão da doença eventualmente resultará no comprometimento dos membros anteriores, embora em alguns cães isso possa levar muitos anos. Muitos tutores optam por uma via de cuidados paliativos antes de optar pela eutanásia quando seus cães não conseguem mais andar usando os membros posteriores ou ficar em pé e/ou têm incontinência urinária e fecal. Fisioterapia com hidroterapia é um tratamento alternativo que poderá ser realizado nesse caso.


Referências


1. JONES, J.C.; INZANA, K. D.; ROSSMEÍSL, J. H.; BERGMAN, R. L.; WELLS, T.; BUTLER, K. C. T. Myelography of the thoraco-lumbar spine in 8 dogs with degenerative myelophaty. Journal ofVeterinary Science. v.6, p.34I-348, 2005.


2. SURANITI, A. P. et al. Mielopatia Degenerativa canina: signos clínicos, diagnóstico y terapêutica.