Graus de Luxação de Patela em Cães

Atualizado: 3 de Out de 2020



Assim como a claudicação, as luxações patelares podem ser classificadas usando diversas escalas. Não existe um sistema universal.


O livro Common Clinical Presentations in Dogs and Cats, First Edition. Ryane E. Englar sugere o seguinte modelo:


Grau 1: A patela está em sua posição anatômica correta dentro do sulco troclear e normalmente não luxa sozinha, embora possa ser manualmente luxada. Quando luxada manualmente pelo veterinário e o mesmo retirada a pressão, a patela retorna à sua posição anatômica normal.


Grau 2: A patela geralmente está encaixada corretamente posição anatômica dentro do sulco troclear, mas pode luxar espontaneamente com a flexão da articulação do joelho. Ela também pode ser luxada manualmente. Uma vez fora de posição, a patela poderá permanecer luxada até o paciente estender a articulação do joelho ou até o veterinário reduzir manualmente a patela.

Grau 3: A patela geralmente está fora de posição, mas pode ser posicionada manualmente à sua localização anatômica normal quando o paciente estende o joelho.


Grau 4: A patela está sempre fora de posição e não pode ser reduzida; não é possível colocá-la manualmente dentro do sulco troclear.


Com o tempo, a luxação patelar desestabiliza a articulação do joelho, erodindo as superfícies das articulações. Isso pode incitar dor com claudicação resultante e desenvolvimento de osteoartrite.


A luxação medial de patela é comum em raças pequenas (Spitz Alemão, Yorkshire Terrier, Chihuahuas, etc) mas também é relatada em cães grandes. Há casos onde ocorre a luxação patelar lateral, sendo mais comum em cães de raça grande.


Pacientes com luxação medial de patela frequentemente apresentam alterações anatômicas concomitantes. Além do sulco troclear ser mais raso, o deslocamento medial do grupo muscular do quadríceps poderá ocorrer. Como resultado, a fise distal do fêmur medial é colocada sobre pressão suficiente para retardar o crescimento, enquanto ao mesmo tempo, o aspecto lateral da fise femoral continua normal neste local. O resultado é o encurvamento lateral do fêmur.  


Em casos leves, a alteração anatômica poderá ser aparente apenas nos exames radiográficos; no entanto, em casos moderados e graves o encurvamento do fêmur pode ser evidente.  

Em casos onde há luxação lateral da patela, acredita-se que ela ocorra devido a alterações na rotação do fêmur proximal. A mudança resultante na tração do grupo muscular do quadríceps força a patela lateralmente ao sulco troclear.


O tratamento de casos de luxação patelar dependem de a gravidade da condição, entretanto, a trocleoplastia é frequentemente empregada para aprofundar o sulco troclear.


Referências


1. Singh, B. and Dyce, K.M. (2018). Dyce, Sack, and Wensing’s Textbook of Veterinary Anatomy, 5e, xv, 854 p. St. Louis, Missouri: Saunders.

2. Evans, H.E. (1993). The skeleton. In: Miller’s Anatomy of the Dog, 3e (ed. H.E. Evans and M.E. Miller), 122–218. Philadelphia: W.B. Saunders.


3. Gilbert, S.G. (1989). Pictorial Anatomy of the Cat, 120 p. Seattle: University of Washington Press. 4 Buback, J. (2012). Evaluating forelimb lameness in juvenile dogs. DVM 360 [Internet].http://veterinarynews.dvm360.com/evaluating‐forelimb‐lamenessjuvenile‐dogs.