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Como diferenciar dor muscular de dor articular em cães

Atualizado: 23 de abr.

Distinguir dor muscular de dor articular em cães requer uma avaliação clínica cuidadosa, pois ambas podem causar claudicação, rigidez e relutância ao movimento.



No entanto, cada tipo de dor apresenta características próprias que ajudam o veterinário a identificar sua origem e direcionar o tratamento adequado.


A dor muscular geralmente está associada a esforço físico intenso, sobrecarga compensatória após uma lesão ou recuperação pós-cirúrgica. Ela tende a se manifestar de forma difusa, sem ponto anatômico preciso, e costuma piorar após atividade prolongada.


O cão pode demonstrar rigidez ao levantar-se, andar de forma mais curta e lenta, ou apresentar dor à palpação dos grupos musculares, especialmente na região lombar, glútea ou femoral.


A musculatura afetada pode estar tensa, quente e com espasmos palpáveis. Além disso, a dor muscular costuma diminuir com o aquecimento, após alguns minutos de caminhada, o animal melhora, voltando a piorar em repouso prolongado.


Já a dor articular tem um caráter mais localizado e previsível. É comum que o cão evite apoiar o membro afetado ou apresente claudicação constante, mesmo em repouso. Durante o exame físico, a palpação e manipulação da articulação causam dor nítida, principalmente nas fases de flexão e extensão máxima.



Também podem ser observados sinais de inflamação, como aumento de volume, calor local e crepitação. A dor articular tende a ser mais persistente e não melhora com aquecimento; ao contrário, o movimento contínuo pode intensificá-la.


A observação do padrão de marcha também fornece informações importantes: em dores articulares, o cão tende a proteger uma articulação específica, alterando o ângulo de apoio; em dores musculares, o movimento é globalmente mais rígido e simétrico.


Exames complementares ajudam a confirmar o diagnóstico.


Radiografias e ultrassonografia são úteis para avaliar articulações, enquanto exames de termografia, eletromiografia ou ultrassom musculoesquelético podem identificar inflamações ou rupturas musculares.


Em resumo, a dor muscular é difusa, melhora com o aquecimento e piora após esforço, enquanto a dor articular é localizada, agrava-se com o movimento e pode vir acompanhada de inflamação visível.


A diferenciação entre ambas é essencial para estabelecer o tratamento correto e evitar recidivas ou compensações que agravem o quadro ortopédico.


Referências bibliográficas:


1. Millis, D. L., & Levine, D. (2014). *Canine Rehabilitation and Physical Therapy* (2nd ed.). Elsevier.


2. Johnston, S. A. (1997). Osteoarthritis: Joint anatomy, physiology, and pathobiology. *Veterinary Clinics of North America: Small Animal Practice*, 27(4), 699–723.


Sobre o autor


Dr. Felipe Garofallo, veterinário ortopedista, especializado no diagnóstico e tratamento de problemas articulares e musculoesqueléticos em cães

Felipe Garofallo é médico-veterinário (CRMV/SP 39.972) especializado em ortopedia e neurocirurgia de cães e gatos e proprietário da empresa Ortho for Pets: Ortopedia Veterinária e Especialidades.


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