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Como diferenciar displasia coxofemoral de outras causas de claudicação

Diferenciar a displasia coxofemoral de outras causas de claudicação em cães é um desafio frequente na rotina clínica, especialmente porque muitas doenças ortopédicas compartilham sinais semelhantes, como dor, dificuldade de locomoção e redução da atividade física.



A displasia, no entanto, possui características próprias de evolução, padrão clínico e alterações anatômicas que, quando avaliadas em conjunto, permitem distingui-la de outras afecções musculoesqueléticas.


Um dos primeiros pontos importantes é a idade de início dos sinais clínicos. A displasia coxofemoral costuma se manifestar de forma bimodal: em cães jovens, geralmente entre quatro e doze meses, associada à frouxidão articular, e em cães adultos ou idosos, quando já existe osteoartrose secundária.


Outras causas de claudicação, como ruptura de ligamento cruzado cranial, tendem a surgir de forma mais aguda em animais adultos, enquanto doenças como panosteíte ou osteocondrose são mais comuns em cães jovens e apresentam evolução diferente, muitas vezes migratória ou autolimitante.


O padrão da claudicação também fornece pistas importantes. Na displasia coxofemoral, a claudicação costuma ser bilateral ou pouco evidente, com marcha rígida, encurtamento do passo dos membros posteriores e dificuldade para levantar após períodos de repouso. Já em afecções como fraturas, luxações ou lesões ligamentares, a claudicação geralmente é unilateral, mais intensa e de início súbito.


Em doenças neurológicas, a alteração pode não ser exatamente uma claudicação, mas sim incoordenação, arraste de unhas ou déficits proprioceptivos, o que ajuda a afastar uma causa primariamente articular.


A resposta à palpação e à manipulação articular também auxilia no diagnóstico diferencial. Na displasia coxofemoral, a dor pode ser discreta ou até ausente em fases iniciais, aparecendo principalmente em movimentos de extensão do quadril ou após exercício.


Em contrapartida, doenças como artrites sépticas, sinovites inflamatórias ou lesões musculares costumam provocar dor mais evidente e localizada à palpação. Além disso, alterações em articulações distais, como joelho, tarso ou cotovelo, direcionam a investigação para outras causas de claudicação que não envolvem o quadril.


Outro aspecto fundamental é o histórico clínico. Cães com displasia frequentemente apresentam intolerância ao exercício, relutância para subir escadas, dificuldade para pular e perda progressiva de massa muscular nos membros posteriores.


Esses sinais tendem a evoluir de forma crônica e progressiva. Já quadros traumáticos costumam ter um evento desencadeante claro, enquanto doenças ortopédicas de crescimento ou inflamatórias podem ter curso mais flutuante ou associado a episódios febris e alterações sistêmicas.


Apesar de todas essas observações clínicas, a diferenciação definitiva raramente pode ser feita apenas pelo exame físico.


A displasia coxofemoral é uma doença estrutural, e sua confirmação depende de exames de imagem adequados.


Radiografias bem posicionadas permitem avaliar congruência articular, profundidade do acetábulo, remodelações ósseas e sinais de osteoartrose, diferenciando a displasia de outras causas de claudicação que apresentam padrões radiográficos distintos ou alterações em outras articulações.


Em casos selecionados, exames avançados como tomografia ou ressonância podem ser úteis para esclarecer diagnósticos mais complexos.


Portanto, diferenciar displasia coxofemoral de outras causas de claudicação exige uma abordagem integrada, baseada na idade do paciente, evolução dos sinais, padrão de marcha, achados ao exame físico e, principalmente, exames de imagem bem indicados.


Essa avaliação cuidadosa é essencial para evitar diagnósticos equivocados e garantir que o cão receba o tratamento mais adequado para sua condição específica.

Referências bibliográficas:

  1. Johnston, S. A., Tobias, K. M. Veterinary Surgery: Small Animal. 2nd ed. Elsevier, 2018.

  2. Piermattei, D. L., Flo, G. L., DeCamp, C. E. Handbook of Small Animal Orthopedics and Fracture Repair. 5th ed. Elsevier, 2016.


Sobre o autor


Dr. Felipe Garofallo, veterinário ortopedista, especializado no diagnóstico e tratamento de problemas articulares e musculoesqueléticos em cães

Felipe Garofallo é médico-veterinário (CRMV/SP 39.972) especializado em ortopedia e neurocirurgia de cães e gatos e proprietário da empresa Ortho for Pets: Ortopedia Veterinária e Especialidades.


Horário: Segunda à sexta, 09h às 18h. Sábados 10:00 às 14:00
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